Advogado influente e arrecadador da campanha do republicano afirma que Trump é negociador duro, mas justo, e valoriza conversas diretas com líderes mundiais.
Faltando poucos dias para a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, um importante aliado de Donald Trump mandou um recado direto ao governo brasileiro: “Liguem para ele”.
A sugestão partiu do advogado e lobista Brian Ballard, arrecadador de fundos da campanha de reeleição do republicano e figura influente entre os aliados do presidente dos EUA. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, Ballard defendeu que o caminho para uma possível reversão do tarifaço passa por um contato direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio Trump.
“Eu faria tudo o que pudesse para falar diretamente com o presidente e sua equipe sênior, o secretário do Comércio, o secretário do Tesouro, o representante comercial… todos eles”, afirmou. Segundo Ballard, Trump gosta de negociar “olho no olho” e valoriza líderes que se disponham a conversar sem intermediários. “Eu aconselharia qualquer chefe de Estado a simplesmente ligar para ele”, reforçou.
Motivações políticas e econômicas
Ballard também comentou sobre os motivos que levaram Trump a anunciar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros no último dia 9 de julho. Segundo ele, a medida é resultado de uma combinação de fatores; entre eles, a aproximação do Brasil com a China no âmbito dos Brics, a defesa do fim da dolarização da economia e, principalmente, a percepção de que o atual governo brasileiro não é tão alinhado aos EUA quanto no passado.
“O presidente [Trump] vê o governo brasileiro como não tão pró-EUA como deveria ser. Então ele usa as ferramentas que tem para tentar obter o que considera mais justo”, disse Ballard, acrescentando que tarifas são parte da estratégia política e econômica do republicano.
Ele ainda mencionou que a investigação brasileira contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, também pesou na decisão, embora o fator econômico tenha prevalecido. “Trump acredita que comércio justo é essencial para a política externa dos EUA”, pontuou.
“Negociador duro, mas justo”
O advogado descreveu Trump como um “negociador duro, mas justo” e disse que o Brasil ainda tem tempo para buscar um acordo, citando como exemplo negociações anteriores entre os EUA e a União Europeia.
“Negociar com a UE foi extremamente difícil, e eles conseguiram resolver. Espero que aconteça o mesmo com o Brasil”, disse. Ballard destacou que o Brasil deveria observar os acordos fechados com Japão e Europa para não “perder tempo” diante do cenário.
Impasse continua
Enquanto isso, o governo Lula tenta manobrar diplomaticamente. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve nos EUA, mas não conseguiu marcar reuniões específicas sobre o tarifaço. Uma comitiva de senadores brasileiros também está em Washington, buscando diálogo com parlamentares e empresários americanos. Mas, a dois dias do prazo final, o impasse persiste.
Lula tem sido enfático em afirmar que o Brasil não aceitará ser tratado como um país inferior e que a soberania nacional deve ser respeitada. Ao New York Times, disse que não negocia “como um país pequeno diante de um gigante”.
A tarifa de Trump está prevista para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto. Se implementada, poderá afetar setores-chave da economia brasileira e agravar tensões diplomáticas entre os dois países.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













