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Aliados criticam Eduardo Bolsonaro por tratar interlocução com Trump como conquista pessoal

Deputado é acusado de transformar aproximação entre Lula e Trump em vitória política do governo petista; direita vê erro de cálculo e constrangimento diplomático.

Integrantes da direita brasileira reconheceram que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) cometeu um erro estratégico ao tratar o acesso ao ex-presidente americano Donald Trump como um trunfo pessoal. A avaliação é que, ao se colocar como único canal de interlocução entre o Brasil e o governo Trump, o deputado acabou fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o encontro com o republicano.

O diagnóstico é compartilhado por aliados próximos ao clã Bolsonaro, que admitem que Eduardo errou no cálculo político e subestimou as articulações diplomáticas paralelas conduzidas por empresários e integrantes do governo. Segundo esses interlocutores, o deputado ignorou que Trump mantinha diálogo com líderes de países adversários dos EUA, como Rússia e China, o que naturalmente abriria espaço para uma reaproximação com o Brasil, independentemente da influência pessoal de Eduardo.

Vídeo resgatado e constrangimento interno

O desconforto aumentou depois que aliados de Lula resgataram um vídeo antigo de Eduardo Bolsonaro, no qual o deputado afirmava ser o único canal de acesso do Brasil às autoridades americanas.

“Aquilo que é estratégico, aquilo que sai do Brasil para chegar às autoridades aqui, obrigatoriamente passa por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo”, declarou ele à época.

Nos bastidores, mesmo aliados da direita admitem que o tom da fala foi imprudente. A avaliação é de que a declaração pode ter causado incômodo em membros do governo americano, que podem ter tido acesso ao vídeo por meio de lobistas contratados por setores empresariais brasileiros interessados em aproximação com Trump.

Aposta na reversão de cenário

Apesar do desgaste, aliados do deputado acreditam que Eduardo ainda pode se recuperar, especialmente se as negociações entre o governo Lula e os EUA não avançarem ou se apenas parte das sanções econômicas impostas ao Brasil for revista.

Em suas redes sociais, o parlamentar minimizou a importância do encontro de Lula com Trump e tentou enquadrar o episódio dentro do que chamou de “script de negociação” do ex-presidente americano.

“Não podemos baixar as armas. Trump já se reuniu com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e com Xi Jinping, da China. Todas as sanções seguem, nenhum visto foi devolvido, e a Magnitsky continua aplicada. Muita incompetência e sempre a mesma narrativa: toda reunião é a preparação para a próxima reunião”, escreveu.

Erro político e efeito simbólico

Para analistas próximos à direita, o problema não está no gesto de Eduardo, mas na forma como ele o capitalizou politicamente. Ao personalizar o contato com Trump, o deputado acabou dando a Lula o crédito simbólico da reaproximação, ainda que sem avanços concretos até o momento.

Assim, o que era para ser um ativo político dentro do campo bolsonarista acabou se transformando em uma narrativa favorável ao Planalto e um alerta sobre os riscos de centralizar a diplomacia em ambições pessoais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divvulgação/Agência Pública

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