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Aliados de Bolsonaro dizem ter cinco votos no STF por prisão domiciliar

Mesmo com cenário considerado mais favorável, grupo avalia que eventual mudança de regime só deve ocorrer após abril.

Nos bastidores de Brasília, a movimentação é intensa. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam já contar com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal favoráveis à concessão de prisão domiciliar. Ainda assim, a avaliação no entorno do ex-chefe do Executivo é de que qualquer mudança no regime dificilmente ocorrerá antes de abril, em meio ao calendário eleitoral e às tensões entre os Poderes.

Segundo interlocutores ouvidos pela coluna, estariam inclinados a votar pela domiciliar o presidente da Corte, Edson Fachin, além dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. O STF, atualmente com dez ministros em atuação após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, precisaria de maioria para decidir sobre o tema.

O possível voto decisivo

A expectativa no grupo é que o ministro Dias Toffoli possa ser o fiel da balança em eventual julgamento. Já o relator do caso, Alexandre de Moraes, é apontado como o mais resistente à mudança de regime.

Mesmo com o cenário descrito como “melhor do que antes”, aliados ponderam que o Supremo tende a adiar qualquer decisão que possa ter reflexo direto no ambiente político de 2026. O entendimento é que a Corte busca evitar maior interferência de Bolsonaro no processo eleitoral, especialmente no período de desincompatibilização, quando pré-candidatos precisam se afastar de cargos públicos.

Articulação política e pressão no Congresso

A ofensiva pela domiciliar não se restringe ao campo jurídico. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teriam atuado pessoalmente em favor da medida. Tarcísio está em Brasília e terá encontros com ministros do Supremo, embora a pauta oficial das reuniões não trate do caso.

No Congresso Nacional, senadores aliados articulam a apresentação de um requerimento pedindo prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. A estratégia seria ampliar a pressão sobre o STF e evitar um novo embate institucional. Entre representantes da direita, há a avaliação de que uma decisão favorável poderia contribuir para reduzir a tensão entre os Poderes.

Nesta terça-feira (10), o ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou que a defesa protocolará novo pedido de domiciliar, com base em laudo recente elaborado pela Polícia Federal.

O que diz o laudo da PF

O documento aponta que Bolsonaro, de 70 anos, apresenta comorbidades como hipertensão, obesidade, apneia do sono, artérias obstruídas e refluxo. Segundo os peritos, todas as condições estão controladas com medicação e uso de equipamentos como o CPAP.

A perícia não confirmou diagnósticos mais graves mencionados por médicos da defesa, como pneumonia bacteriana, anemia por deficiência de ferro, depressão ou sarcopenia. Também não indicou necessidade expressa de transferência para prisão domiciliar, deixando a decisão a cargo do Supremo.

No entanto, recomendou adaptações na cela, como instalação de barras de apoio, campainhas de emergência e acompanhamento fisioterapêutico contínuo, a fim de evitar novos acidentes.

Bolsonaro está custodiado em uma Sala de Estado Maior de 38,5 metros quadrados, com quarto, banheiro privativo, copa, ar-condicionado e acesso a área externa para banho de sol.

O debate sobre a prisão domiciliar ultrapassa o campo jurídico e invade o terreno político, institucional e humano. De um lado, argumentos técnicos e decisões judiciais; de outro, articulações e pressões em um país ainda profundamente polarizado. Mais do que o destino de um ex-presidente, o que está em jogo é o equilíbrio delicado entre Justiça, política e o futuro das relações entre os Poderes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metrópoles

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