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Análise: PL Antifacção causa atrito entre Hugo Motta e governo Lula

Escolha de relator e críticas públicas azedam relação entre o Planalto e o presidente da Câmara dos Deputados.

Em menos de uma semana, três versões diferentes do Projeto de Lei Antifacção, somadas a trocas de críticas e declarações públicas, deixaram o clima tenso entre o governo federal e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O projeto, que ainda nem foi votado, já provocou um desgaste significativo nas articulações políticas em Brasília.

Nos bastidores da Câmara, o incômodo maior recai sobre a bancada do PT, especialmente sob a liderança de Lindbergh Farias (PT-RJ). A avaliação é que os petistas atuaram para enfraquecer Hugo Motta após ele indicar Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto, sem aguardar ajustes propostos pelo governo.

Apesar do atrito, aliados de Hugo reconhecem a postura colaborativa de Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF). Ambos criticaram o relatório de Derrite, mas ajudaram a conter a crise e manter o diálogo com o Congresso.

O Palácio do Planalto tenta agora reconstruir as pontes com o presidente da Câmara. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou a pedir uma reunião com Motta, mas, por ora, ele sinalizou que não pretende conversar, alegando “agenda apertada” e priorizando os ajustes necessários para a votação do projeto.

A nomeação de Guilherme Derrite para a relatoria foi o ponto central do desentendimento. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou a Hugo Motta para demonstrar preocupação com a escolha. Derrite é secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos nomes mais fortes da oposição para a disputa presidencial de 2026.

Hugo Motta, porém, defende que a escolha de um relator da oposição era a única forma de destravar o andamento do PL e evitar que a direita monopolizasse o tema: já popular entre grupos que defendem endurecimento contra facções.

O Planalto, entretanto, classificou o relatório de Derrite como “desastroso”, apontando que o texto esvaziava atribuições da PF e alterava trechos da Lei Antiterrorismo, o que provocou forte reação da base governista. Em tom crítico, Lindbergh Farias afirmou que o governo Lula foi vítima de um “furto com abuso de confiança”.

 O impasse evidencia o desafio do governo em manter diálogo com o Congresso em temas de segurança pública, especialmente quando pautas de endurecimento penal ganham força entre parlamentares da oposição.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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