Documento com rascunhos de palanques revela negociações, preferências e impasses regionais, incluindo possível migração de Fernando Máximo em Rondônia.
Um rascunho deixado em uma sala da sede do PL, em Brasília, abriu uma janela rara para os bastidores da estratégia eleitoral do partido nos estados. As anotações do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, detalham articulações, preferências e impasses que estão sendo costurados longe dos holofotes, mas que ajudam a desenhar o mapa político para as eleições de outubro.
O documento, intitulado “Situação nos Estados”, foi revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil com fontes do partido. Nele, Flávio imprimiu os palanques dos 26 estados e do Distrito Federal e fez observações à mão durante reunião realizada na terça-feira (24), na sede da legenda.
São Paulo como prioridade estratégica
No topo da página dedicada a São Paulo, uma anotação direta: “ligar Tarcísio”. A estratégia confirma o apoio do PL à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Ao lado do nome do vice-governador Felicio Ramuth aparece um cifrão, enquanto André do Prado surge como possível vice na chapa.
Para o Senado, o nome de Guilherme Derrite foi anotado e, no dia seguinte, confirmado por Flávio após visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papuda. A segunda vaga ao Senado ainda depende de conversa com Eduardo Bolsonaro, citado pela sigla “EB”, além de outros nomes como Mario Frias, Marco Feliciano e Renato Bolsonaro.
Rio, Minas e o jogo de forças regionais
No Rio de Janeiro, o partido já definiu Douglas Ruas e Rogério Lisboa para governo e vice, enquanto Cláudio Castro e Marcio Canella aparecem para o Senado — este último com um ponto de interrogação ao lado do nome.
Em Minas Gerais, as anotações revelam desconfiança quanto ao vice-governador Mateus Simões. Flávio escreveu que ele poderia “puxar para baixo” caso seja candidato. Para o governo mineiro, aparece também o nome de Flávio Roscoe, com observação para conversar com Nikolas Ferreira. No Senado, Carlos Viana e Domingos Sávio recebem destaque em caneta azul.
Bahia, Sul e Centro-Oeste em negociação
Na Bahia, o PL pretende conversar primeiro com ACM Neto antes de fechar o palanque. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco surge como candidato ao governo, com articulações envolvendo Onyx Lorenzoni e o PP.
No Paraná, há indefinição entre Guto Silva e Sergio Moro para o governo. Para o Senado, Filipe Barros é tratado como prioridade. Deltan Dallagnol aparece como nome forte, apoiado por Ratinho Jr., enquanto Cristina Graeml é descartada por “atrapalhar”.
Em Mato Grosso do Sul, a anotação envolvendo o deputado Marcos Pollon ganhou repercussão. Flávio escreveu que ele teria “pedido 15 mi p/ não ser candidato”. Depois, afirmou à imprensa que registrou a informação apenas para checar rumores e negou que o pedido tenha ocorrido.
Alagoas, Distrito Federal e Santa Catarina
Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC, e o deputado Alfredo Gaspar aparecem como opções ao governo. Para o Senado, surgem Marina Cândida e o nome de Arthur Lira com ponto de interrogação.
No Distrito Federal, as anotações confirmam Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado. Celina Leão é cogitada para o governo, mas há ressalva caso Ibaneis Rocha dispute o Senado.
Em Santa Catarina, Esperidião Amin foi descartado com um “X” sobre o nome. A vaga ao Senado ficou com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, após impasse interno envolvendo o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Rondônia no radar: possível mudança de partido
Entre os estados analisados, Rondônia aparece com cenário em aberto. As anotações indicam que o deputado federal Fernando Máximo, atualmente no União Brasil, pode migrar para o PL para disputar uma vaga ao Senado.

A candidatura dependeria da decisão do empresário Bruno Scheid, vice-presidente do PL no estado. Em observação escrita à mão, Flávio registrou: “vamos perder”, sinalizando preocupação com o cenário local. O nome do governador Marcos Rocha aparece como desistente da disputa ao Senado, enquanto o senador Marcos Rogério também é citado.
O conjunto das anotações revela um partido em intensa movimentação, tentando equilibrar alianças, evitar conflitos internos e ampliar sua força regional. Mais do que simples rabiscos, o documento expõe a engrenagem política funcionando em tempo real: com cálculos, dúvidas, preferências e disputas que podem redefinir o tabuleiro eleitoral nos estados e, consequentemente, influenciar o cenário nacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













