Home / Politica / Antes de chegar a deputados, PF mirou assessores em investigação sobre desvio de cotas

Antes de chegar a deputados, PF mirou assessores em investigação sobre desvio de cotas

Operação Galho Fraco avançou após um ano de apurações e reúne indícios de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Há investigações que não começam no centro do poder, mas caminham até ele. E, quando chegam, escancaram mais do que suspeitas jurídicas: revelam fissuras profundas na relação entre dinheiro público e responsabilidade política. É nesse contexto que a Polícia Federal voltou os holofotes para deputados federais após um ano inteiro de apurações silenciosas envolvendo assessores parlamentares.

A Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira (19), apura o desvio de recursos públicos oriundos das cotas parlamentares e tem como alvos os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. Segundo a PF, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar e ocultar verbas públicas.

Investigação começou longe dos holofotes

Em 2024, a Polícia Federal chegou a solicitar mandados de busca e apreensão contra os parlamentares, mas a Procuradoria-Geral da República se manifestou contrária ao pedido. À época, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, seguiu o parecer da PGR e entendeu que não havia indícios suficientes para autorizar medidas contra os deputados.

Com isso, os mandados expedidos naquele momento miraram exclusivamente assessores ligados aos gabinetes, considerados peças-chave no funcionamento do suposto esquema investigado.

Avanço das apurações e mudança de entendimento

Ao longo de 2025, o material apreendido com os assessores foi analisado pela Polícia Federal. O conteúdo, segundo fontes da investigação, reforçou as suspeitas e permitiu traçar conexões mais robustas, levando a corporação a retomar o pedido de medidas contra os parlamentares.

Agora, com autorização do ministro Flávio Dino, policiais federais cumprem sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. A ação é um desdobramento da operação deflagrada em dezembro de 2024 e investiga crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Dinheiro em espécie e reação política

Durante a operação desta sexta-feira, a PF apreendeu cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo na residência de Sóstenes Cavalcante. A corporação destaca que dispõe de métodos sofisticados para rastrear a origem de valores apreendidos, mesmo quando há tentativa de dificultar o trabalho investigativo por meio do uso de cédulas em espécie.

Nas redes sociais, Carlos Jordy se pronunciou e afirmou ser alvo de uma “perseguição implacável”. Até o momento, Sóstenes Cavalcante não se manifestou oficialmente.

Mais do que um episódio isolado, a investigação reacende um debate sensível e necessário sobre os limites do poder, a fiscalização do uso de recursos públicos e o tempo da Justiça. Para além dos nomes e dos cargos, o que está em jogo é a expectativa de uma sociedade que, cansada de escândalos repetidos, ainda espera que transparência e responsabilidade deixem de ser promessa e passem a ser regra.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *