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Apoio a Flávio cresce na direita após anúncio, mas “preço” para recuo freia avanço, aponta Palver

A indicação feita por Jair Bolsonaro impulsionou rapidamente o nome do senador, mas uma declaração pública mudou o rumo da conversa entre apoiadores.

O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República caiu como uma faísca em campo seco entre os apoiadores da direita. Em poucas horas, o nome do senador ganhou força nas redes e despertou entusiasmo em quem ainda busca um herdeiro político direto do bolsonarismo para 2026. Mas a mesma velocidade que impulsionou o apoio também revelou como o cenário é sensível e pode mudar de rumo rapidamente.

Levantamento realizado pela consultoria Palver, a partir de monitoramento com inteligência artificial em grupos abertos de WhatsApp e Telegram, mostrou que a indicação feita por Jair Bolsonaro teve impacto imediato nas conversas políticas desses ambientes. Ainda assim, uma única fala de Flávio, ao sugerir que haveria um “preço” para abrir mão da pré-candidatura, foi suficiente para conter esse crescimento.

O que revela o monitoramento das redes

O estudo da Palver analisa mais de 100 mil grupos públicos, respeitando a legislação de privacidade de dados, e identifica o comportamento de usuários classificados como apoiadores de Bolsonaro ou do campo da direita. A partir dessas interações, é possível medir menções, adesões e rejeições a possíveis presidenciáveis.

Durante o mês de novembro, Jair Bolsonaro ainda era, de longe, o nome dominante. Em média, três em cada quatro usuários da direita mencionavam o ex-presidente como o melhor candidato para 2026. Entre as alternativas, apenas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparecia com alguma constância, alcançando no máximo cerca de 30% de apoio. Flávio, Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro surgiam apenas de forma pontual.

Indicação impulsiona, declaração freia

Esse cenário começa a mudar na sexta-feira, dia 5, quando Flávio anuncia que foi indicado pelo pai para dar continuidade ao projeto político iniciado entre 2019 e 2022. Em poucas horas, o senador saiu da quase invisibilidade nas menções para conquistar cerca de metade do apoio explícito nos grupos monitorados.

No sábado, impulsionado pela repercussão do anúncio, o crescimento foi ainda mais evidente. No entanto, no domingo, após participar de um culto evangélico e afirmar que existiria um “preço” para abrir mão da pré-candidatura, a maré começou a baixar. O apoio a Flávio caiu para cerca de quatro em cada dez menções.

Com isso, Tarcísio de Freitas voltou a ganhar espaço e chegou a superar os níveis de apoio registrados antes do anúncio de Flávio. Eduardo Bolsonaro também teve um crescimento, ainda que em patamar menor.

Segundo o CEO da Palver, Luis Fakhouri, os dados deixam clara a força de mobilização de Jair Bolsonaro entre seus apoiadores. Quando ele aponta um caminho, a base reage rapidamente e acompanha. Porém, as oscilações mostram que esse apoio também é altamente sensível a falas, gestos e estratégias.

No fim das contas, o que os dados revelam vai além de números e percentuais. Eles mostram que a disputa pela herança política de Bolsonaro já começou, guiada por emoções, expectativas e disputas silenciosas que se desenrolam nas conversas do dia a dia. Em um cenário ainda indefinido, cada palavra dita pode impulsionar sonhos ou interromper trajetórias, lembrando que, na política, o apoio nunca é definitivo e a confiança se constrói e se perde em questão de instantes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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