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Após ausência de Vorcaro, CPMI do INSS convoca empresária ligada à Conafer

Ingrid Pikinskeni será ouvida nesta segunda-feira em meio às investigações sobre descontos ilegais que podem ter movimentado bilhões de reais.

A CPMI do INSS inicia a semana sob expectativa e tensão. Após o cancelamento do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, a comissão volta suas atenções para um novo nome que surge no centro das apurações: a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos. O caso envolve suspeitas de um esquema bilionário que teria atingido diretamente aposentados e pensionistas, um dos públicos mais vulneráveis do país.

A oitiva está marcada para esta segunda-feira (23), no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que apura descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

Ligação com a Conafer e suspeita de repasses

Segundo requerimentos apresentados por parlamentares, Ingrid foi identificada como destinatária de recursos considerados ilícitos oriundos da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil. A entidade é alvo de investigação por suposta participação no esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões.

De acordo com os documentos, valores inicialmente repassados a Cícero Marcelino de Souza Santos teriam sido transferidos posteriormente para Ingrid, sua esposa. Parlamentares do partido Novo afirmam que os repasses não apresentam justificativa contratual ou lícita, o que levanta a suspeita de que a empresária possa ter sido utilizada para ocultar a destinação final dos recursos.

Cícero já havia prestado depoimento à comissão em outubro do ano passado. Na ocasião, admitiu que suas empresas mantiveram intenso volume de transações financeiras com a Conafer, mas alegou não ter condições de detalhar as movimentações porque todo o material teria sido apreendido pela Polícia Federal.

Esquema bilionário sob investigação

A CPMI investiga um suposto esquema de descontos ilegais diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. As irregularidades vieram à tona em abril, após operação conjunta da Polícia Federal com a Controladoria-Geral da União.

As estimativas apontam que, entre 2019 e 2024, as entidades envolvidas teriam cobrado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS. Um valor que, mais do que números, representa impacto direto na renda de milhares de brasileiros que dependem desses recursos para sobreviver.

Vorcaro ainda é esperado no Senado

Mesmo após desistir de comparecer à CPMI nesta segunda-feira, Daniel Vorcaro ainda avalia prestar esclarecimentos ao grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O colegiado é presidido pelo senador Renan Calheiros e acompanha os desdobramentos das investigações que envolvem o Banco Master.

A ausência na CPMI ocorreu após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que tornou facultativa a presença do empresário na comissão.

No fundo, o que está em jogo vai além de depoimentos adiados ou trocas de convocados. Trata-se da confiança de aposentados que viram descontos misteriosos corroerem seus benefícios e da capacidade do Estado de dar respostas claras a quem trabalhou a vida inteira. Cada oitiva pode não apenas esclarecer fatos, mas também representar um passo na tentativa de devolver dignidade e transparência a esse episódio que ainda deixa muitas perguntas no ar.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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