Ex-presidente recebeu pena de 27 anos e articulações ganham novo fôlego no Congresso Nacional.
A condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mexeu não apenas com os rumos da política nacional, mas também com os bastidores do Congresso. Em meio à comoção causada pela pena de 27 anos e 3 meses de prisão, a oposição já se movimenta para transformar a derrota jurídica do ex-presidente em bandeira política: a anistia ampla aos envolvidos tanto no plano de golpe de Estado quanto nos atos do 8 de janeiro de 2023.
Anistia volta ao centro do debate
Parlamentares da oposição enxergam que a resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estava ligada ao fato de Bolsonaro ainda não ter sido condenado. Agora, com a decisão do STF, consideram que surgiu uma “janela de oportunidade” para avançar no tema.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que pretende colocar o projeto da anistia em discussão já na próxima reunião de líderes, marcada para terça-feira (16). A ideia é votar a urgência e, se houver acordo, até o mérito da proposta no dia seguinte. Para ele, a condenação reforça a necessidade de “corrigir rumos” e estender o perdão não apenas aos presos do 8 de janeiro, mas também a Bolsonaro e demais réus.

Resistência e bastidores
Apesar da pressa da oposição, o texto da proposta ainda não está fechado, não há relator definido e, nos bastidores, circulam diferentes minutas. Esse cenário dificulta o apoio explícito de parlamentares. Ainda assim, opositores acreditam que fatores como o desembarque de partidos como União Brasil e PP do governo, somados à atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, podem destravar o debate.
Do outro lado, governistas afirmam não haver espaço para nenhum tipo de anistia nem mesmo uma versão mais branda. Hugo Motta, pressionado, preferiu não se posicionar nesta quinta-feira (11). Mas, ao aparecer ao lado do presidente Lula em um evento no Palácio do Planalto, enviou sinais de proximidade com o governo.
Senado em compasso diferente
No Senado, o clima é mais resistente. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que trabalha há meses em uma proposta alternativa de anistia, mas a oposição rejeita esse caminho. Além disso, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já declarou que não pautará uma anistia ampla, o que representa um obstáculo para a tramitação.
Condenação histórica
A decisão que condenou Bolsonaro foi tomada pela Primeira Turma do STF, fixando pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, além de 124 dias-multa, calculados em dois salários mínimos por dia. Ainda cabem recursos, o que adia uma eventual prisão imediata.
Mais do que uma condenação, o julgamento abriu um novo capítulo na história política recente do país. Enquanto a oposição tenta transformar o revés judicial em combustível para uma agenda de reconciliação via anistia, governistas reforçam que não haverá espaço para apagar crimes contra a democracia.
A sociedade, por sua vez, assiste a esse embate com expectativa: de um lado, a pressão por perdão; do outro, a exigência de justiça. O que se decidir nos próximos dias no Congresso não será apenas sobre Bolsonaro e seus aliados, mas sobre os rumos que o Brasil deseja seguir: entre a memória do que aconteceu e a escolha de como se quer escrever o futuro.
Texto: Daniela Castelo Branco- Com informações da CNN Brasil
Foto: Divulgação/Revista Oeste













