Deputado federal criticou o TSE por não barrar a apresentação: “Preferiu fingir que não foi propaganda eleitoral antecipada, dando o nome de ‘cultura'”.
O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou nesta segunda-feira (16) que apresentará Ministério Público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói por improbidade administrativa.
Segundo o parlamentar, a medida ocorre após o desfile realizado na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que homenageou o presidente. Para Nikolas, a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada.
O deputado também declarou que, caso Lula oficialize candidatura à reeleição em 2026, ingressará com uma ação de investigação judicial eleitoral por suposto abuso de poder político e econômico.
Em nota, Nikolas criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE):
“Ontem o TSE, sempre tão rigoroso, preferiu fingir que o desfile com propaganda explícita ao Lula na Marquês de Sapucaí não foi propaganda eleitoral antecipada, mas sim ‘cultura’.”
A controvérsia ganhou novos desdobramentos após a divulgação de que a escola teria recebido cerca de R$ 1 milhão em recursos públicos para o desfile. O deputado classificou o evento como um “desfile-comício” financiado com verba federal.
O desfile
Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola apresentou passagens da trajetória política do presidente, desde a saída de Garanhuns (PE), sua ida para São Paulo, a atuação como líder sindical e a chegada ao Palácio do Planalto.
Lula acompanhou a apresentação em camarote ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
O desfile também incluiu críticas a adversários políticos. Alegorias retrataram o ex-presidente Michel Temer (MDB) e fizeram referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de menção ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Análise no TSE
Conforme já noticiado, a homenagem deve ser analisada em processo em curso no TSE, que apura possível configuração de propaganda eleitoral antecipada, além de novas ações que podem ser protocoladas por partidos políticos.
Na última quinta-feira (12), ministros da Corte manifestaram preocupação com o conteúdo do desfile, classificando o ambiente como “muito propício a ilícitos eleitorais”. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, comparou a situação a uma “areia movediça”, afirmando que quem entra nesse cenário “sabe que pode afundar”.
O caso deve continuar gerando repercussão jurídica e política nos próximos dias.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













