Wolney Queiroz reforça compromisso com a investigação que atingiu o número 2 da Previdência e toca em pontos sensíveis do esquema de fraudes no INSS.
Logo ao amanhecer desta quinta-feira, enquanto muitos brasileiros recebiam o café, a Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Sem Desconto: a investigação que expõe um dos maiores esquemas de descontos indevidos de aposentados e pensionistas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A prisão do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, número 2 da pasta, gerou comoção e acendeu um debate que ultrapassa os corredores de Brasília: até onde vai o compromisso do governo com a transparência e a responsabilização de envolvidos, independentemente de sua posição?
Ministro reforça que ninguém está acima da lei
Nesta quinta-feira, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou de forma enfática que o governo federal “não protege ninguém” de operações conduzidas pela Polícia Federal, em referência direta à prisão do secretário-executivo e às investigações em curso. Para ele, as investigações precisam seguir “até as últimas consequências”, mesmo que isso implique em medidas duras dentro da própria equipe.
Em nota oficial, o Ministério da Previdência informou que, logo após a operação da PF ser deflagrada, Portal foi exonerado do cargo e substituído pelo procurador-federal Felipe Cavalcante e Silva, que atuava como consultor jurídico da pasta. A exoneração foi apresentada como reflexo do compromisso da pasta com a investigação e com a recuperação dos recursos desviados.
A operação que abalou Brasília
A Operação Sem Desconto, que teve início em abril deste ano, mira um esquema de fraudes que envolve descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, com prejuízos que podem chegar a bilhões de reais. Nesta fase da ação, a Polícia Federal cumpre 16 mandados de prisão preventiva, 52 de busca e apreensão e outras medidas judiciais em diversos estados brasileiros e no Distrito Federal, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Portal, outro alvo foi Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores centrais do esquema e também preso pela PF.
Desdobramentos políticos e a resposta governamental
A operação também alcançou o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado e relator de pautas como a revisão da Lei do Impeachment, que teve mandados de busca cumpridos em endereços ligados a ele.
A resposta pública do ministro Wolney Queiroz não apenas reforça a ideia de que ninguém está imune a investigações, mas também tenta colocar água fria em críticas que sugerem proteções políticas indevidas. Segundo ele, a ação do governo é colaborar com todos os órgãos de controle e com a Justiça para esclarecer os fatos e devolver à sociedade os recursos que teriam sido desviados.
Reflexão e impacto para a população
Mais do que um episódio político ou institucional, a prisão de um alto funcionário e o envolvimento de figuras públicas em uma investigação dessa magnitude mexem com a confiança de milhões de brasileiros que dependem da Previdência para viver com dignidade.
É um lembrete doloroso de que a defesa dos direitos daqueles que trabalharam a vida inteira precisa estar sempre em primeiro plano. Enquanto as investigações continuam e novos desdobramentos provavelmente virão, cabe à sociedade observar de perto como o Estado responde quando as suspeitas alcançam o próprio coração da administração pública.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/TV Senado













