Homem foi atingido no olho com arma artesanal; agressor ameaçou matar servidores e outros internos.
O clima de tensão voltou a marcar o sistema prisional de Porto Velho após um episódio de violência que por pouco não terminou em tragédia. Um detento foi brutalmente atacado dentro do presídio Jorge Thiago Aguiar Afonso, conhecido como “603”, na noite desta segunda-feira, revelando a fragilidade do controle interno e o risco constante enfrentado por quem vive e trabalha no local.
A agressão ocorreu por volta das 18 horas, no momento em que a vítima realizava a entrega de cálculos de pena aos internos. Segundo a Polícia Penal, o preso Wellington D.S.R. utilizou uma arma artesanal, conhecida como “xuxo”, para atingir o olho direito do outro apenado.
Violência e ameaças após o ataque
Mesmo após ferir a vítima, o agressor continuou causando tumulto dentro da unidade. De acordo com relatos, ele passou a ameaçar servidores e outros internos, afirmando que mataria qualquer pessoa que se aproximasse.
O detento também se recusou a entregar a arma utilizada no ataque e chegou a ameaçar diretamente um policial penal, elevando ainda mais o nível de risco dentro do bloco.
A vítima recebeu os primeiros atendimentos ainda no presídio e, em seguida, foi encaminhada à enfermaria do presídio Urso Branco.
Intervenção e apreensão de armas
Diante da gravidade da situação, o Grupo de Ações Penitenciárias Especiais foi acionado para conter o agressor e restabelecer a ordem. Durante a intervenção, os internos arremessaram objetos perfurantes para fora das celas, numa tentativa de evitar a apreensão.
Ao todo, foram recolhidas 14 armas artesanais. Na cela do suspeito, os agentes encontraram ainda outro “xuxo” escondido dentro de um cano de esgoto, possivelmente o mesmo utilizado na agressão.
O detento recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Departamento de Flagrantes.
O episódio escancara uma realidade dura e muitas vezes invisível: dentro dos muros dos presídios, a violência segue latente, pronta para explodir a qualquer momento. Entre grades e celas superlotadas, o que se vê é um sistema sob pressão constante, onde cada ocorrência reforça um alerta que insiste em não ser ignorado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













