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Barroso discursa após condenação de Bolsonaro e nega “perseguição política”

Presidente do STF destacou que julgamento foi público, baseado em provas e reafirmou compromisso com a democracia.

O julgamento que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus por tentativa de golpe de Estado terminou com um discurso firme do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Mesmo sem integrar a Primeira Turma, responsável pelo caso, o ministro fez questão de aparecer ao final da sessão nesta quinta-feira (11) para reforçar a legitimidade do processo.

“Ninguém sai feliz daqui”

Barroso afirmou que o julgamento foi conduzido com “transparência” e fundamentado em diferentes provas: vídeos, mensagens, confissões e documentos. Ele rechaçou as acusações de que teria havido perseguição política.
“As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará neste julgamento algum tipo de perseguição política”, afirmou.

O presidente do STF ainda ressaltou que respeita posições divergentes, mas lembrou que a democracia se sustenta em regras claras. “Na vida democrática, antes da ideologia, antes das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com respeito aos resultados eleitorais. Esta é a mensagem mais importante deste julgamento”, disse.

Condenação de Bolsonaro

Na mesma sessão, a Primeira Turma do Supremo condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, além de 124 dias-multa, calculados em dois salários mínimos por dia. O relator Alexandre de Moraes defendeu a pena considerando o agravamento por liderança de organização criminosa, mas também atenuantes pela idade do ex-presidente. O voto foi seguido por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Luiz Fux divergiu, votando pela absolvição.

Bolsonaro foi condenado por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado por violência e grave ameaça
  • Deterioração de patrimônio tombado

Outros condenados

Além de Bolsonaro, também receberam penas:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal (PL-RJ) e ex-diretor-geral da Abin
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice em 2022

Reflexão

Barroso encerrou seu discurso lembrando que “ninguém sai feliz” de um julgamento dessa natureza, mas que cabe ao Supremo cumprir seu papel histórico com coragem e serenidade. A fala ecoa como um recado não apenas aos condenados e aliados, mas a todo o país: a democracia exige vigilância e respeito às regras, mesmo quando o preço a pagar é alto.

Esse desfecho marca um divisor de águas na política brasileira, abrindo espaço para reflexões sobre responsabilidade, justiça e os limites do poder. O futuro, agora, será escrito à luz dessa decisão histórica.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Antônio Augusto/STF

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