Ministro anuncia aposentadoria aos 67 anos em um discurso emocionante, dizendo querer viver “com mais poesia”
Em meio a aplausos, pausas emocionadas e olhares atentos dos colegas de toga, o ministro Luís Roberto Barroso anunciou que está deixando o Supremo Tribunal Federal. Aos 67 anos, ele decidiu encerrar antes do tempo uma trajetória marcada por coragem, serenidade e intensidade: algo que sempre o caracterizou dentro e fora do plenário. Em suas palavras, é hora de viver “com mais leveza, com mais poesia”.
O anúncio, feito na sessão plenária da quinta-feira (9), surpreendeu o país. A aposentadoria veio oito anos antes da idade limite de 75 anos e foi marcada por um discurso de cerca de 16 minutos que misturou balanço, emoção e uma pitada de filosofia; como costuma ser o estilo do ministro.
Uma despedida antecipada e carregada de significado
Barroso relembrou momentos marcantes de sua passagem pelo STF, falou sobre o Brasil, sobre os desafios da democracia e sobre a responsabilidade de quem julga em meio à polarização. Por vezes, precisou interromper a fala, tomar água e conter as lágrimas. “A vida é breve”, disse, com a voz embargada, reforçando o desejo de dedicar os próximos anos a uma existência mais leve, menos institucional e mais humana.
Sanções dos EUA pesaram na decisão
Nos bastidores, o afastamento do ministro já vinha sendo comentado havia semanas. As sanções impostas pelos Estados Unidos, que resultaram no cancelamento de vistos dele e de seus familiares, tiveram forte peso na escolha. Barroso sempre manteve uma relação próxima com universidades americanas, onde costumava lecionar anualmente. A situação, segundo interlocutores, o deixou “profundamente desconfortável”.
Começa a corrida pela sucessão
Com a aposentadoria oficializada, já se iniciaram as articulações políticas em torno da sucessão. Entre os nomes cogitados para ocupar a vaga estão o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); o advogado-geral da União, Jorge Messias; o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas; e a ministra do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha.
O indicado pelo presidente Lula precisará ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e, em seguida, pelo plenário do Senado, com, no mínimo, 41 votos favoráveis dos 81 senadores.
O adeus de quem deixa marcas
A saída de Barroso marca o fim de um ciclo importante no Supremo. Conhecido por sua oratória firme e pela defesa intransigente da democracia e dos direitos fundamentais, ele deixa o tribunal com o mesmo brilho que o conduziu até lá: o de quem acredita na força das ideias e na beleza da vida, mesmo diante das adversidades.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Poder 360













