Comitê se reúne nesta terça (29) sob expectativa de estabilidade na Selic, mas incertezas externas ganham peso no radar.
Com o cenário interno relativamente sob controle, o Banco Central inicia nesta terça-feira (29) mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com uma expectativa majoritária no mercado: a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira (30), e a indicação predominante é de que o ciclo de aperto monetário chegou ao seu limite; pelo menos por enquanto.
Apesar desse consenso, o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump contra produtos brasileiros começa a mudar o tom das preocupações. O impacto imediato é considerado limitado, mas analistas alertam que o desdobramento desse choque comercial pode influenciar os rumos da política monetária mais adiante.
Relatórios de grandes instituições financeiras, como JP Morgan e XP Investimentos, indicam que a estratégia do BC deve ser manter a taxa em um nível contracionista por um período prolongado, reforçando o compromisso com o controle da inflação. A meta é de 3%, e os dados mais recentes do IPCA, somados à deflação no atacado e à desaceleração moderada da atividade econômica, têm favorecido esse objetivo.
Ainda assim, os riscos externos não passam despercebidos. O tarifaço dos EUA afeta diretamente o setor exportador brasileiro e pode desacelerar o crescimento do PIB. Por outro lado, um eventual enfraquecimento da moeda brasileira ou retaliações comerciais do Brasil poderiam gerar pressão inflacionária, forçando o BC a adotar um tom ainda mais conservador.
“O impacto direto tende a ser desinflacionário, mas o Copom precisa monitorar os riscos de segunda ordem”, aponta relatório da XP. Já o Itaú vê possibilidade de cortes antecipados na Selic, caso o choque comercial comprometa o ritmo da economia doméstica de forma mais intensa.
Cautela e comunicação clara são os caminhos apontados pelos economistas. O Santander e o Banco Daycoval destacam que a maneira como o BC abordar as incertezas internacionais em seu comunicado será fundamental para balizar as expectativas do mercado.
No cenário-base, a próxima redução de juros só viria em março de 2026, com a Selic recuando para 14,5%, conforme dados do Boletim Focus. Mas, com o novo cenário geopolítico e econômico se desenhando, o discurso do Copom nesta quarta pode ganhar novos tons e o mercado estará atento a cada palavra.
Enquanto isso, do outro lado do hemisfério, o Federal Reserve (Fed) também realiza sua reunião nesta semana, e a expectativa é de manutenção dos juros nos EUA. A diferença é que, lá, a inflação ainda pressiona e o ambiente político-eleitoral adiciona mais uma camada de incerteza.
Para o Brasil, o alerta está aceso. E, embora a Selic deva seguir firme por ora, a política monetária entra em um novo momento de vigilância redobrada.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Senado Federal













