Instituição de pequeno porte já se chamou Indusval e Voiter; ligação com Banco Master amplia repercussão do caso.
A decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente o Banco Pleno adiciona mais um capítulo à sequência de intervenções no sistema financeiro envolvendo nomes ligados ao Banco Master. Embora de pequeno porte, a instituição tem conexões diretas com personagens que já estão no radar das autoridades.
O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno, antigo Banco Voiter. A instituição é controlada por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master.
Relação com Vorcaro
Além de Augusto Ferreira Lima, também aparecem como controladores do Banco Pleno a Master Holding Financeira S.A. e Daniel Vorcaro, conforme comunicado oficial da autoridade monetária.
Lima assumiu o controle do então Banco Voiter em julho de 2025, poucos meses antes de a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, que apontou fraudes no Sistema Financeiro Nacional. Sob nova gestão, a instituição passou a se chamar Banco Pleno S.A., com foco no segmento empresarial.
Lima e Vorcaro foram sócios no Banco Master, que também acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O empresário baiano deixou a sociedade em maio de 2024. Ambos chegaram a ser presos no fim de 2025 durante a operação Compliance Zero, mas tiveram a prisão preventiva revogada pelo Tribunal Regional Federal menos de duas semanas depois.
Mudanças de nome e controle ao longo dos anos
A trajetória do banco é marcada por sucessivas mudanças. Em 2020, ainda sob o nome de Banco Indusval, a instituição deixou a B3 e passou por reestruturação. Rebatizado como Voiter, adotou uma estrutura mais enxuta e foco em empresas de médio e grande porte, além de startups, atuando no mercado de capitais em parceria com gestoras.
Quatro anos depois, o Voiter foi vendido ao Banco Master, ampliando a participação de Vorcaro no grupo. Antes disso, o controle estava nas mãos do investidor do agronegócio Roberto de Rezende Barbosa.
Segundo o Banco Central, o conglomerado do Banco Pleno representa apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, o que o classifica como instituição de pequeno porte.
Motivos da liquidação
A autoridade monetária informou que a medida foi adotada devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, além de infrações às normas que regem sua atividade e descumprimento de determinações do Banco Central.
A liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado quando o regulador entende que não há viabilidade de recuperação da instituição.
Efeito dominó no sistema
A decisão ocorre na esteira da liquidação do Banco Master e de outras instituições ligadas ao grupo. Em janeiro, o Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado por Daniel Vorcaro. A financeira já operava sob Regime Especial de Administração Temporária desde novembro, em razão de sua situação de insolvência e do vínculo de interesse com o Master.
Embora o Banco Pleno tenha participação pequena no sistema financeiro, a sequência de liquidações envolvendo instituições conectadas entre si levanta questionamentos sobre governança, fiscalização e os mecanismos de controle no mercado bancário. Em um ambiente onde a confiança é a principal moeda, cada intervenção do regulador ecoa além dos números e atinge diretamente a credibilidade do sistema.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













