Home / Politica / Bolsonaro pede ao STF para reduzir pena por meio da leitura de livros

Bolsonaro pede ao STF para reduzir pena por meio da leitura de livros

Defesa solicita inclusão do ex-presidente em programa que permite remição da pena com obras clássicas da literatura.

Em meio ao cumprimento da pena e ao cerco judicial que marcou os últimos anos de sua trajetória política, Jair Bolsonaro tenta agora recorrer a um caminho silencioso e individual para abreviar o tempo de prisão: os livros. Nesta quinta-feira (8), a defesa do ex-presidente apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de autorização para que ele participe do programa de remição de pena pela leitura, mecanismo previsto na legislação brasileira e adotado em unidades prisionais do país.

A iniciativa permite a redução de quatro dias da pena a cada obra lida, desde que o detento produza um relatório manuscrito ao final da leitura, submetido à avaliação da unidade prisional e à homologação judicial, conforme regras do Conselho Nacional de Justiça.

Pedido formal ao Supremo

No documento enviado ao STF, os advogados afirmam que Bolsonaro pretende realizar leituras periódicas e se compromete a cumprir todas as exigências do programa, incluindo a entrega de resenhas escritas de próprio punho. Esses relatórios precisam demonstrar compreensão do conteúdo e são analisados antes de qualquer concessão do benefício.

Como o ex-presidente está custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, local que não funciona como um presídio convencional e não dispõe de biblioteca própria, a defesa solicitou autorização específica da Justiça para garantir o acesso às obras e às condições necessárias para a leitura e produção dos textos.

Obras permitidas e critérios

O programa de remição pela leitura não aceita qualquer tipo de livro. As listas utilizadas pelas bibliotecas prisionais priorizam obras literárias, clássicos da ficção e títulos reconhecidos por seu valor cultural. Entre os autores frequentemente autorizados estão Machado de Assis, Jorge Amado, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, William Shakespeare, Gabriel García Márquez e George Orwell, além de outros nomes centrais da literatura brasileira e internacional.

A cada livro concluído e validado, o preso pode pleitear a redução de quatro dias da pena, respeitando os limites previstos nas normas do sistema penal.

Próximos passos

Caso o pedido seja aceito pelo STF, caberá à administração da unidade prisional viabilizar o acesso às obras autorizadas, acompanhar o cumprimento das leituras e registrar formalmente as atividades. A partir disso, Bolsonaro poderá apresentar novos pedidos de homologação à Justiça, sempre condicionados à avaliação dos relatórios produzidos.

Mais do que um procedimento burocrático, o pedido adiciona um novo capítulo à trajetória judicial do ex-presidente. Em um cenário marcado por disputas políticas, condenações e embates institucionais, a leitura surge como um instrumento legal, silencioso e simbólico, capaz de transformar páginas em dias a menos atrás das grades e, talvez, provocar reflexões que ultrapassam o papel.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *