Senador afirma que ex-presidente quer que Câmara e Senado pautem projeto e enfrenta novas crises de soluço na cela da PF.
A cena tem sido dura para aliados, família e apoiadores: Jair Bolsonaro, preso preventivamente desde sábado (22), recebeu nesta terça-feira (25) a visita do filho e senador Flávio Bolsonaro, que deixou a Superintendência da Polícia Federal relatando um pedido direto do pai. Em meio à indignação com a prisão e ao desconforto físico das últimas horas, Bolsonaro quer uma mobilização imediata no Congresso para colocar em votação o projeto de anistia dos investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo Flávio, o ex-presidente está inconformado com a situação e pediu que ele conversasse pessoalmente com os presidentes Hugo Motta, da Câmara, e Davi Alcolumbre, do Senado, para que o PL da Anistia entre na pauta o quanto antes.
Bolsonaro quer anistia votada com urgência
Flávio Bolsonaro contou que o pedido partiu diretamente do pai, reforçando que a movimentação política deve acontecer já nos próximos dias. Nesta segunda-feira (24), o senador já havia anunciado que o Partido Liberal fará uma mobilização pela votação do projeto.
O PL da Anistia, porém, ainda não está próximo de ser votado. O texto depende da finalização do parecer do relator Paulinho da Força, que rebatizou a proposta e passou a chamá-la de PL da Dosimetria. A previsão é que o deputado peça ao presidente da Câmara a inclusão do projeto na pauta esta semana.
Flávio afirmou que a legenda continuará defendendo uma proposta ampla de anistia. Segundo ele, o relatório de Paulinho da Força pode trazer medidas mais brandas, mas o PL usará emendas para tentar manter o foco na absolvição dos investigados pelos atos golpistas.
Indignação e sensação de injustiça
A visita também serviu para atualizar o estado emocional e físico de Bolsonaro. Flávio disse que o pai está “indignado e inconformado” e que segue repetindo que não fez nada para estimular ações golpistas no período em que deixou o governo.
Para o senador, Bolsonaro se sente injustiçado e indignado por estar preso após o que considera ter sido uma transição pacífica de governo.
Novas crises de soluço preocupam a família
O parlamentar relatou ainda que o ex-presidente apresentou novas crises de soluço durante a madrugada, situação que preocupa familiares desde episódios anteriores. Segundo ele, a condição pode provocar broncoaspiração e se agravar.
A defesa afirma que as crises são consequência do estresse e das condições emocionais do momento e insiste que, diante do quadro de saúde, a prisão seria desumana.
Prisão após quebra da tornozeleira
Bolsonaro foi preso preventivamente após romper a tornozeleira eletrônica que utilizava. Em audiência de custódia, confessou ter usado um ferro de solda no equipamento e relatou ter vivido o que chamou de “paranoia” nas horas que antecederam a destruição do monitoramento.
Um momento que pesa sobre o país
O capítulo mais recente da trajetória de Bolsonaro joga o Brasil novamente para dentro de um debate que mistura política, responsabilidade, emoção e memória. Enquanto no lado de dentro da cela ele tenta entender como chegou até aqui, do lado de fora o país assiste a um movimento que pode reescrever, em tempo real, uma das páginas mais sensíveis da democracia recente. No fim, independente do desfecho, ninguém sairá desse processo exatamente igual ao que entrou, nem Bolívar, nem Brasília, nem o próprio Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













