Defesa solicita ao STF encontro entre pai e filho na PF; declarações de Carlos Bolsonaro levantam questionamentos sobre saúde, prisão e limites do Judiciário.
Ainda em recuperação após dias delicados de internação e procedimentos cirúrgicos, o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro do debate político e jurídico do país. Preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde novembro, Bolsonaro pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para receber a visita do filho, o vereador Carlos Bolsonaro, em um momento que mistura questões familiares, saúde e decisões judiciais que seguem dividindo opiniões.
A solicitação foi feita pela defesa ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso no STF. Os advogados pedem que a visita ocorra na próxima semana, na terça-feira (6), já que Bolsonaro retornou à custódia da PF na quinta-feira (1º), após receber alta do Hospital DF Star.
Pedido de visita após internação e cirurgias
Condenado a 27 anos de prisão por participação em um plano de golpe de Estado após as eleições de 2022, Bolsonaro passou os últimos dias internado em Brasília para tratar uma crise persistente de soluços. Durante a hospitalização, ele foi submetido a quatro procedimentos cirúrgicos, incluindo uma cirurgia de hérnia inguinal.
Ainda no período de internação, a defesa voltou a pedir a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando riscos à saúde do ex-presidente. O pedido, no entanto, foi novamente negado por Alexandre de Moraes, que determinou o retorno imediato de Bolsonaro à Superintendência da PF após a alta médica.
No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, Moraes havia autorizado a visita dos filhos ao hospital. Além de Carlos, estiveram com o ex-presidente o senador Flávio Bolsonaro, o vereador Jair Renan Bolsonaro e Laura Firmo Bolsonaro.
Críticas públicas e acusação de abuso de poder
Paralelamente ao pedido formal de visita, Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para criticar duramente a decisão do STF de manter o pai preso. Sem citar Alexandre de Moraes diretamente, o vereador afirmou que o Brasil vive um cenário de abuso de poder concentrado nas mãos de um único ministro.
Segundo Carlos, as decisões judiciais não apenas violariam garantias constitucionais básicas, como também exporiam Jair Bolsonaro a riscos reais, físicos e humanos. Em sua publicação, ele afirmou que o país não pode ser governado por decisões personalistas, sem contraditório efetivo, limites ou responsabilidade institucional.
A mensagem foi encerrada com um apelo emocional direcionado ao pai, em tom de resistência e afeto: “Mantenha, Pai!”.
Saúde, Justiça e um país em tensão
A situação do ex-presidente segue cercada de tensão política e jurídica. Aos 70 anos, Bolsonaro cumpre pena enquanto ainda há prazo para recursos, e sua condição de saúde permanece no centro dos argumentos da defesa. Do outro lado, o STF sustenta que as medidas adotadas garantem atendimento médico adequado e segurança institucional.
O pedido para que Bolsonaro receba a visita do filho agora aguarda decisão de Alexandre de Moraes. Mais do que um encontro familiar, o episódio simboliza um momento sensível da democracia brasileira, em que o rigor da lei, o papel das instituições e a dimensão humana das decisões judiciais se encontram em um ponto de constante reflexão.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Alan Santos/PR













