Ex-presidente passou quase dez dias internado, foi submetido a quatro procedimentos médicos e teve pedido de prisão domiciliar negado pelo STF.
O retorno de Jair Bolsonaro à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, nesta semana, encerra um período marcado por cirurgias, decisões judiciais e tensão política. Após quase dez dias internado no hospital DF Star, o ex-presidente deixou o leito hospitalar direto para a custódia da PF, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista que tentou romper a ordem democrática após as eleições de 2022.
A alta médica aconteceu depois de uma semana intensa de cuidados, intervenções cirúrgicas e acompanhamento clínico constante. Antes mesmo de deixar o hospital, a defesa de Bolsonaro tentou evitar o retorno ao cárcere ao pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a conversão da pena em prisão domiciliar. O pedido, no entanto, foi negado.
Pedido de prisão domiciliar foi rejeitado pelo STF
Segundo os advogados, a solicitação foi apresentada ainda durante a internação, com o argumento de que o estado clínico do ex-presidente seria incompatível com a rotina carcerária, os deslocamentos e as limitações estruturais de uma unidade policial.
A defesa sustentou que Bolsonaro se encontrava em condições delicadas de saúde, o que justificaria o cumprimento da pena em casa. Alexandre de Moraes, porém, entendeu que não havia elementos suficientes para autorizar a mudança no regime de prisão e determinou o retorno imediato à Superintendência da PF após a alta.
Internação começou na véspera de Natal
Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro para realizar uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral, condição em que parte de um órgão ou tecido abdominal se projeta por uma área enfraquecida da musculatura da virilha. Ao longo de sete dias, no entanto, o ex-presidente acabou sendo submetido a um total de quatro procedimentos médicos, nem todos relacionados diretamente à hérnia.
Na segunda-feira (29), a equipe médica realizou um bloqueio anestésico do nervo frênico, na tentativa de interromper crises persistentes de soluço. Mesmo após a intervenção, Bolsonaro voltou a apresentar o quadro e precisou passar por novo procedimento na terça-feira (30).
Outros procedimentos e quadro clínico
Durante a internação, Bolsonaro também foi submetido a uma endoscopia digestiva alta, exame que apontou a persistência de esofagite e gastrite. Além disso, apresentou picos de pressão arterial, o que exigiu monitoramento constante da equipe médica.
Outro ponto que chamou atenção foi o pedido do próprio ex-presidente para que os médicos prescrevessem antidepressivos, informação registrada durante o período de internação no DF Star.
Histórico de cirurgias desde 2018
Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro passou por uma longa sequência de procedimentos cirúrgicos. As cirurgias se repetiram nos anos de 2018, 2019 e 2020, e voltaram a ocorrer em 2023, 2024 e agora em 2025.
Antes da internação mais recente, os últimos procedimentos haviam ocorrido em abril do ano passado, quando Bolsonaro passou por uma laparotomia exploradora para liberação de aderências intestinais e reconstrução da parede abdominal. A cirurgia foi realizada após o ex-presidente passar mal durante uma agenda no Rio Grande do Norte.
Além dos problemas intestinais recorrentes, Bolsonaro também foi diagnosticado com câncer de pele em setembro do ano passado e precisou passar por um procedimento para remoção das lesões.
Entre a saúde e a Justiça
O retorno de Jair Bolsonaro à prisão da Polícia Federal evidencia o entrelaçamento entre saúde, Justiça e política em um dos capítulos mais sensíveis da história recente do país. Entre salas cirúrgicas e decisões judiciais, o caso expõe não apenas a fragilidade física de um ex-presidente, mas também a firmeza das instituições em aplicar a lei, mesmo diante de contextos delicados. Em um momento em que o Brasil ainda tenta reconstruir suas bases democráticas, cada desfecho carrega um peso que vai além do indivíduo e alcança toda a sociedade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/7 Segundos













