Manifestantes cobram revogação de plano de desocupação ambiental e contestam tarifas de pedágio, sem previsão de liberação da rodovia federal.
O amanhecer desta quinta-feira (29) trouxe um clima de tensão e espera para quem depende da BR-364: mais uma vez, a principal ligação rodoviária de Rondônia foi fechada por um grupo de produtores rurais na altura do trevo de acesso ao município de Cujubim (km 563), às margens da chamada Nova BR-364. Ação nasceu da frustração e da sensação de abandono de quem luta por anos para manter seu modo de vida diante de decisões que consideram ameaças diretas às suas propriedades e ao futuro da economia local.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou a interdição e informou que não existe previsão para liberação total da via. Ambulâncias e veículos em situações de emergência seguem sendo permitidos a passar, mas até agora a rodovia permanece com o tráfego seriamente comprometido.
Motivos do protesto
O ponto central da mobilização é a revogação do plano de desocupação de áreas no entorno da Estação Ecológica Soldados da Borracha, uma unidade de conservação criada em Rondônia que tem gerado forte resistência entre produtores que moram e trabalham há décadas naquela região. Os manifestantes alegam que o decreto de criação da reserva afectaria suas atividades e a permanência nas terras, sem que alternativas justas fossem apresentadas.
Outro foco da insatisfação é a contestação às tarifas cobradas no novo pedágio da BR-364, consideradas elevadas e prejudiciais ao escoamento da produção agrícola regional. Os agricultores afirmam que o custo extra impacta o preço final dos produtos e encarece toda a cadeia produtiva.
Produtores também reclamam que acordos firmados com autoridades durante manifestações realizadas em 2025 ainda não foram cumpridos, alimentando a sensação de desprezo e ausência de diálogo efetivo com os governos estadual e federal.
Cenário na rodovia e orientações
Segundo relatos de veículos de imprensa que acompanham o ato, o bloqueio tem sido feito de forma alternada em alguns momentos, com trechos liberados por duas horas e fechados por outras duas, mas a insegurança persiste. A PRF orienta motoristas que puderem adiar viagens pela BR-364 entre Ariquemes, Cujubim e Itapuã do Oeste a evitarem trafegar por esse trecho enquanto a situação não se normaliza.
Olhares sobre um conflito maior
Esse bloqueio repetido da BR-364 é mais do que um transtorno no tráfego: é o reflexo de um impasse profundo entre direitos ambientais, produção rural e políticas públicas que não têm conseguido harmonizar interesses distintos. Para os produtores, trata-se de lutar pela sobrevivência de suas famílias e pela continuidade de atividades centenárias. Para muitos usuários da rodovia, é mais um lembrete de quão frágeis são os fluxos logísticos quando decisões sensíveis não avançam em diálogo aberto.
Em cada buzina que ecoa na BR-364, ouve-se o descompasso entre leis, necessidades locais e compromissos ainda não cumpridos. Enquanto isso, no entroncamento de Cujubim, a estrada segue fechada e com ela muitos planos e esperanças que continuam à espera de respostas concretas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Felipe Barros/Ei Rondônia













