Medida de Trump pode reconfigurar parcerias comerciais do Brasil, mas reação imediata traz riscos à economia
A possível retaliação do Brasil à tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos levanta um sinal de alerta entre economistas. Analistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que a medida, embora vista como resposta legítima, pode desencadear efeitos negativos no consumo, nos investimentos e na estabilidade do mercado financeiro brasileiro.
Entre os principais riscos apontados, está a alta nos preços de produtos importados de alto valor agregado, principalmente itens de tecnologia. Isso pressionaria o consumo interno e reduziria o lucro de empresas varejistas e industriais, impactando diretamente o desempenho de companhias listadas na bolsa. “Veríamos o lucro operacional dessas empresas caindo, o que não é uma boa visualização para o Ibovespa”, destaca Pedro Moreira, sócio da One Investimentos.
Outro ponto crítico é a volatilidade cambial. Desde o anúncio da tarifa por Trump, o dólar subiu de R$ 5,40 para R$ 5,54 em apenas uma semana. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, alerta que essa instabilidade pode refletir na inflação, no custo de produção e até no nível de empregos, caso a situação se prolongue.
A insegurança gerada por uma possível retaliação também afasta o capital estrangeiro, segundo Patrick Buss, operador da Manchester Investimentos. Ele ressalta que o risco-país pode subir, encarecendo o crédito e pressionando ainda mais o real: “Mesmo focada nas importações, a retaliação pode desencadear reações negativas amplas no ambiente macroeconômico e financeiro”.
Apesar do cenário adverso, especialistas apontam uma possível janela de oportunidade: a reconfiguração das parcerias comerciais do Brasil. O professor Leonardo Trevisan, da ESPM, avalia que a postura de Trump pode acelerar o estreitamento de laços com a China e a União Europeia, reposicionando o país no comércio global. “Qualquer criança sabe que será a China. Quanto mais pressão dos EUA, mais a América Latina se aproxima da China. É um tiro no pé”, afirma.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também adotou tom cauteloso, ressaltando que as tarifas são prejudiciais para ambos os países.
O governo brasileiro ainda estuda quais medidas tomar, mas a equação é delicada: reagir pode ser necessário, mas cada passo precisa ser cuidadosamente calculado para evitar um efeito dominó sobre a economia interna.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













