Saída de países, incluindo o Brasil, foi gesto político de insatisfação com postura de Israel sobre a guerra em Gaza.
O quarto dia da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, teve um momento de forte simbolismo político. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi recebido com vaias e protestos ao subir ao púlpito, nesta sexta-feira (26). Antes mesmo de começar a falar, delegações de diferentes países se retiraram da plenária em sinal de repúdio; entre elas, a brasileira.

Benjamin Netanyahu
Fontes diplomáticas confirmaram que a saída da missão permanente do Brasil foi planejada e acompanhada por outros países. O gesto foi entendido como uma clara manifestação de descontentamento em relação à postura de Israel diante do conflito no Oriente Médio, em especial pela condução da guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza.
O discurso de Netanyahu
Falando em hebraico, Netanyahu buscou reafirmar a posição de seu governo: prometeu manter os ataques contra o Hamas, lembrou o ataque de 7 de outubro de 2023: quando militantes palestinos mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel e fizeram dezenas de reféns e deixou uma mensagem direta às famílias das vítimas: “Não nos esquecemos de vocês, nem por um segundo”.
O premiê destacou o que chamou de vitórias militares contra grupos apoiados pelo Irã e insistiu que parte da comunidade internacional ignora o sofrimento israelense desde aquele dia. “Grande parte do mundo não se lembra mais de 7 de outubro. Mas nós nos lembramos”, afirmou.
A tragédia em Gaza
Se, de um lado, o discurso de Netanyahu evocou a dor israelense, de outro, a realidade em Gaza permanece marcada por uma devastação sem precedentes. Segundo autoridades de saúde locais, mais de 65 mil pessoas morreram nos bombardeios israelenses, e grande parte do território está em ruínas. A destruição atingiu famílias inteiras, comunidades palestinas e até mesmo hospitais, acirrando ainda mais a divisão internacional sobre a guerra.
Um gesto com repercussão mundial
A saída do Brasil e de outras delegações antes do pronunciamento foi mais do que um simples ato protocolar: simbolizou o peso da insatisfação global diante da condução israelense do conflito. Não é a primeira vez que episódios assim acontecem na ONU, mas o gesto desta sexta-feira reforça o isolamento político que Israel vem enfrentando em diferentes frentes diplomáticas.
Entre memória e futuro
Enquanto Netanyahu insiste em manter viva a lembrança do 7 de outubro, a comunidade internacional parece cada vez mais dividida sobre como equilibrar essa dor com a tragédia humanitária em Gaza. O episódio na ONU deixa uma pergunta no ar: como construir caminhos de paz quando, de ambos os lados, a memória da perda ainda grita tão alto?
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Veja
Reportagem: CNN Brasil













