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Brasil pode ser atingido por novas sanções de Trump contra a Rússia

Presidente americano ameaça sobretaxa de 100% e punições secundárias a países que importam produtos russos, incluindo o Brasil.

As novas sanções econômicas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com foco na Rússia, podem atingir diretamente o Brasil. Em um movimento de pressão para forçar um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, Trump deu prazo de 50 dias para que Moscou aceite negociar a paz; caso contrário, pretende aplicar tarifas de 100% sobre produtos russos e impor sanções secundárias a países que mantiverem comércio com o Kremlin.

Esse pacote tem potencial de causar forte impacto na economia brasileira. No ano passado, o Brasil importou US$ 12,2 bilhões em produtos russos, sobretudo óleo diesel, fertilizantes, gasolina e outros derivados de petróleo: itens essenciais para a logística, agricultura e matriz energética do país. Foi o mesmo valor registrado em 2022, último ano do governo Bolsonaro e primeiro da guerra, quando o comércio com Moscou já havia registrado um salto de 140% em relação a 2021.

Embora os EUA tenham importado apenas US$ 3 bilhões da Rússia em 2024, o efeito das sanções secundárias pode ser devastador, pois atinge os parceiros comerciais de Moscou; e o Brasil está entre eles. Além de Brasil, os principais alvos potenciais seriam a China (US$ 130 bilhões) e a Índia (US$ 66 bilhões), ambos também membros do Brics.

A relação Brasil–Rússia

O vínculo do Brasil com a Rússia se aprofundou ao longo dos últimos anos. O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a visitar Vladimir Putin em Moscou oito dias antes do início da invasão, declarando solidariedade à Rússia mesmo com mais de 100 mil soldados russos às portas da Ucrânia.

Já no governo Lula, o comércio bilateral se manteve intenso, especialmente com a retomada da compra de fertilizantes e derivados de petróleo, diante da necessidade de insumos estratégicos para o agronegócio brasileiro.

Incertezas sobre a medida

Apesar da ameaça, ainda não há certeza se Trump efetivamente cumprirá a promessa das tarifas de 100% e das sanções secundárias. Analistas avaliam que o presidente americano pode recuar até setembro, prazo limite estipulado, caso Putin sinalize interesse em negociar, mesmo que apenas simbolicamente.

Enquanto isso, o Brasil e outros países que mantêm relações comerciais significativas com a Rússia estão diante de um dilema: adaptar suas cadeias de importação para evitar sanções ou correr o risco de entrar na mira da Casa Branca.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros já avaliam possíveis impactos e buscam alternativas para mitigar eventuais punições. O governo Lula, que até agora tem se mantido alinhado ao discurso de multipolaridade do Brics, pode precisar recalibrar sua estratégia externa, sob pena de arcar com prejuízos comerciais significativos em um momento de crescente instabilidade global.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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