Governo quer aproveitar avanço diplomático após encontro entre Lula e Trump e pede suspensão temporária das tarifas.
O governo brasileiro decidiu acelerar as negociações com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Nesta segunda-feira (27), representantes dos dois países se reuniram em Kuala Lumpur, um dia após o encontro entre Lula e Trump na Malásia, e o Brasil pediu uma nova rodada de conversas já na próxima semana, em Washington.
Segundo fontes diplomáticas, o Itamaraty avalia que é fundamental manter o “timing” político aberto após a aproximação entre os presidentes. Participaram do encontro o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o representante de Comércio, Jamieson Greer. Apesar do tom cordial, não houve discussões sobre setores específicos nem sinal imediato de recuo nas tarifas.
Brasil propõe suspensão temporária das tarifas
A principal demanda apresentada pela comitiva brasileira foi a suspensão temporária do tarifaço enquanto as negociações estiverem em curso, como forma de garantir previsibilidade às exportações e demonstrar boa-fé no diálogo comercial.
Essa solicitação já havia sido feita pessoalmente por Lula a Trump durante o encontro de domingo (26) e foi reforçada nesta segunda. O Brasil quer seguir o exemplo de acordos anteriores entre os EUA e outros países; como a China, que teve tarifas adicionais suspensas durante tratativas semelhantes.
Próximos passos e expectativa de avanço
A reunião desta segunda-feira foi breve, mas serviu para alinhar os próximos passos. Ambos os lados concordaram em agendar novo encontro em Washington, possivelmente na próxima semana, primeira data disponível na agenda americana.
Trump deixou a Malásia nesta segunda-feira e seguirá em viagem pela Ásia, com paradas no Japão e na Coreia do Sul, retornando aos Estados Unidos apenas no fim da semana. O Brasil, por sua vez, já se declarou pronto para enviar imediatamente seus negociadores.
Negociações complexas e interesses em jogo
De acordo com interlocutores do governo, as tratativas devem ser lideradas por Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). A expectativa é de que a reunião conte com os três ministros à frente da missão brasileira.
Embora o diagnóstico da crise tarifária já seja conhecido por ambos os países desde antes do aumento de 40%, o governo americano ainda não detalhou o que pretende obter em troca. Entre os temas que podem entrar em pauta estão:
- as tarifas sobre o etanol americano;
- a regulação das big techs;
- e o acesso dos EUA a minerais críticos e terras raras.
Fontes próximas às discussões afirmam que nenhum desses pontos foi mencionado oficialmente, nem na conversa entre Lula e Trump, nem na reunião técnica de segunda-feira.
A diplomacia brasileira acredita que há ambiente político favorável para um avanço rápido, sustentado pela reaproximação entre os líderes e pela urgência em reduzir o impacto econômico das tarifas. Como disse um negociador ouvido pela CNN, “a janela está aberta, e o Brasil precisa atravessar agora, antes que ela se feche”: frase que resume bem o clima de expectativa e a corrida diplomática que se inicia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução CNN Brasil













