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Brasil tenta destravar crise comercial e busca nova reunião com EUA na próxima semana

Governo Lula espera sinal verde da gestão Trump para rever tarifas e sanções impostas a autoridades brasileiras.

O governo brasileiro trabalha contra o tempo para tentar destravar a crise comercial com os Estados Unidos e reverter as tarifas impostas em julho, que atingiram em cheio setores estratégicos da economia. A expectativa é que uma nova rodada de negociações aconteça já na próxima semana, em Washington, marcando um novo capítulo nas complexas tratativas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o norte-americano Donald Trump.

Segundo integrantes do governo, a reunião deve ocorrer no máximo em 15 dias, mesmo com a realização da COP30 em Belém do Pará. A comitiva brasileira poderá ser chefiada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, acompanhado dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Fazenda).

Após encontro na Malásia, Brasil espera resposta americana

O novo encontro deve ser o desdobramento direto da conversa entre Lula e Trump, realizada no último domingo (26), na Malásia. De acordo com fontes do Itamaraty, o governo brasileiro aguarda que os Estados Unidos apresentem as condições para avançar na redução das tarifas de 40%, voltando ao patamar de 10%, vigente até abril, antes da escalada da crise comercial.

Diplomatas brasileiros avaliam que, embora Trump ainda não tenha sinalizado publicamente um recuo, há disposição de Washington para buscar um “ponto de equilíbrio” que beneficie ambos os lados.

Demandas e contrapartidas em pauta

Para assessores da Casa Civil e do Ministério da Fazenda, é provável que a gestão Trump apresente contrapartidas políticas e econômicas em troca da flexibilização tarifária. Entre os temas que podem entrar na mesa de negociação estão big techs, especialmente as discussões sobre regulação digital e terras raras, insumo estratégico na indústria de tecnologia e defesa.

O Brasil, por sua vez, também colocou sobre a mesa um pedido delicado: a retirada de sanções aplicadas a autoridades brasileiras, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, há um certo otimismo em Brasília. Segundo fontes próximas ao Planalto, Trump teria reconhecido que as motivações para aplicar a sanção “não se sustentam”, o que abre margem para uma solução diplomática.

Entre a diplomacia e a política

A aproximação entre Lula e Trump é acompanhada de perto por observadores internacionais e pelo mercado financeiro, que veem nas negociações um termômetro da relação entre as duas maiores economias do continente. Apesar das diferenças ideológicas, o diálogo entre ambos tem se mostrado pragmático: uma tentativa de conter danos e preservar interesses econômicos mútuos.

O desafio agora é transformar as conversas em resultados concretos. Para o Brasil, cada ponto percentual de tarifa representa bilhões em prejuízo às exportações e ameaça à competitividade de setores inteiros. Para os Estados Unidos, a oportunidade está em reafirmar sua influência regional num momento de crescente presença chinesa na América Latina.

Reflexão: entre a diplomacia e o orgulho nacional

No fundo, mais do que uma disputa comercial, o que está em jogo é o prestígio do Brasil no tabuleiro global. Depois de anos de turbulência política e econômica, o país tenta reafirmar sua soberania, sem abrir mão do diálogo. A nova reunião com Washington pode ser o início de uma reaproximação duradoura ou mais um capítulo de tensão em uma relação marcada por desafios e interesses cruzados.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/CNN Brasil

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