Commodity mais querida do mundo entra na mira da guerra comercial, e produtores brasileiros vivem dias de incerteza.
O aroma do café brasileiro, que atravessa oceanos e chega às xícaras americanas todas as manhãs, agora carrega uma dose amarga de incerteza. A decisão do governo Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros acendeu o sinal vermelho no setor cafeeiro e já provocou reações imediatas no mercado internacional.
Na manhã desta quinta-feira (31), os preços do café arábica dispararam 1,8% na bolsa de Nova York, atingindo US$ 2,9875 por libra-peso. O motivo é simples: o café, que não foi inicialmente incluído na lista de exceções do tarifaço, pode ser fortemente impactado caso a taxa entre em vigor no próximo dia 6 de agosto.
O Brasil é o maior produtor de café do mundo, e os Estados Unidos são o maior consumidor global, dependentes quase que totalmente de importações. Quando o gigante americano ameaça encarecer a entrada do grão brasileiro, a tensão se espalha por toda a cadeia: produtores, exportadores, traders e até cafeterias icônicas como o Starbucks, que compra 22% de seus grãos do Brasil.
O impacto imediato e a corrida por isenção
O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) mantém conversas diretas com a National Coffee Association, nos EUA, e pressiona a Casa Branca para que o café seja incluído em uma lista abrangente de produtos não produzidos internamente, que poderia escapar da tarifa.
Enquanto isso, os exportadores vivem dias de apreensão. O temor é que a taxa de 50% desestimule as compras americanas, gere acúmulo de estoques e obrigue o Brasil a buscar novos mercados na Europa e na Ásia, com custos logísticos mais altos.
Especialistas alertam que, no curto prazo, os preços internacionais devem subir, impulsionados por uma corrida de importadores para garantir estoques antes que as taxas entrem em vigor.
Linha do tempo do café na crise do tarifaço
- 30 de julho de 2025 – Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros; café fica fora das exceções iniciais.
- 31 de julho de 2025 – Café arábica sobe 1,8% em NY; setor brasileiro intensifica lobby em Washington.
- 1º a 5 de agosto de 2025 – Expectativa de inclusão do café em lista de produtos isentos.
- 6 de agosto de 2025 – Data prevista para início da tarifa. Sem isenção, exportações serão impactadas.
Possíveis impactos
Para o Brasil:
- Queda nas exportações e prejuízo bilionário se mercado americano reduzir compras.
- Pressão sobre produtores com estoques elevados e necessidade de buscar novos destinos.
- Custo logístico maior ao redirecionar embarques para Europa e Ásia.
Para os EUA:
- Aumento no preço do café ao consumidor final, atingindo cafeterias e supermercados.
- Impacto em grandes redes, como Starbucks, dependente do grão brasileiro.
- Risco de escassez temporária, já que estoques domésticos cobrem apenas poucas semanas.
No xadrez do comércio global, o café brasileiro virou peça-chave de uma disputa que mistura economia, diplomacia e política. Para produtores e exportadores, cada dia até o 6 de agosto será decisivo. O sabor do café pode continuar doce para os americanos, ou se tornar mais caro e amargo, em meio à crise.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













