Governador de Goiás confirma filiação ao partido e afirma que legenda busca nome com “estatura moral” para disputar o Planalto.
Em um movimento que redesenha o tabuleiro político de olho nas eleições presidenciais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixou claro que sua filiação ao PSD não é apenas uma troca de sigla, mas uma escolha estratégica com um objetivo definido. Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (28), Caiado afirmou que a missão do partido com uma candidatura própria é derrotar o petismo e oferecer ao país uma alternativa ao atual projeto de poder.
A declaração ocorre um dia após o governador anunciar oficialmente sua saída do União Brasil e a filiação ao Partido Social Democrático, legenda comandada por Gilberto Kassab e que já reúne outros nomes cotados para a disputa presidencial, como os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná.
Disputa interna e foco na Presidência
Segundo Caiado, o PSD vive um momento de construção coletiva, com mais de um pré-candidato colocado à disposição do partido. A definição, afirmou, virá após avaliação interna. “Todos nós somos pré-candidatos e vamos aguardar o resultado dessa comissão para dizer qual vai ser aquele que vai ter essa missão tão relevante e importante de derrotar o petismo, que já está há quase 20 anos no poder e que tanto atraso tem trazido ao Brasil”, declarou.
Para o governador, a disputa vai além de vencer uma eleição. Ele defende que o próximo presidente precise reunir condições políticas e morais para reorganizar o país. “O grande desafio não é apenas eleger o próximo presidente da República. É saber quem terá estatura moral para organizar esse quadro colapsado, essa desordem institucional que o país vive hoje”, afirmou.
Críticas ao governo Lula e ao ambiente nacional
Caiado endureceu o discurso ao avaliar o atual cenário político e social do Brasil. Segundo ele, a população vive um sentimento de desesperança diante de um governo que, em sua avaliação, não apresenta respostas concretas aos problemas do país. “As pessoas não sabem mais o que esperar de um governo que só fala do 8 de Janeiro e não entrega nada de produtivo, a não ser escândalos de corrupção e violência”, disse.
O tom crítico reforça o posicionamento do governador como um dos principais nomes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinaliza que o embate político deve se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.
Por que o PSD
Ao explicar a mudança partidária, Caiado afirmou que a decisão foi tomada de forma tranquila e dialogada. Ele destacou que a federação formada entre União Brasil e Progressistas acabou reduzindo o espaço para uma candidatura própria ao Planalto, o que pesou em sua escolha.
“O PSD tem musculatura política no país inteiro, uma representatividade importante no Congresso Nacional e a maior bancada no Senado. Isso é fundamental para sustentar uma candidatura competitiva à Presidência da República”, explicou.
Caiado afirmou ainda que conversou com lideranças do antigo partido antes de oficializar a saída. “Falei tranquilamente com todos os colegas, eles entenderam, e então fiz a opção pelo PSD”, relatou.
No cenário de pré-campanha, a entrada de Caiado no PSD fortalece o discurso de construção de uma alternativa ao governo Lula fora dos extremos ideológicos. Resta saber qual nome conseguirá unir forças, discurso e viabilidade eleitoral para carregar a missão que o próprio governador definiu como central: vencer o PT e reconstruir a confiança do país em seu futuro político.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













