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“Careca do INSS” depõe à CPMI acusado de desviar milhões de aposentados

Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, preso em Brasília, é apontado como operador de um esquema bilionário de fraudes; depoimento pode revelar detalhes sobre a máfia que sangrou a Previdência.

A imagem de aposentados e pensionistas tendo parte de seus salários desviados sem autorização é daquelas que indignam e revoltam. No centro desse escândalo, está o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Preso há duas semanas, ele depõe nesta quinta-feira (25) à CPMI do INSS em Brasília. Considerado pela Polícia Federal como um dos articuladores do esquema, o empresário movimentou milhões de reais em nome de associações e empresas de fachada, prejudicando justamente aqueles que mais dependem do benefício para sobreviver.

O homem por trás da máfia da Previdência

Antônio Carlos foi preso em 12 de setembro, acusado de operar uma rede criminosa que fraudava descontos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas cadastrados no INSS. Segundo a Polícia Federal, pessoas físicas e jurídicas ligadas a ele receberam mais de R$ 53,5 milhões. Parte desses valores teria sido repassada a servidores do Instituto, familiares e empresas associadas.

As investigações apontam que o “careca do INSS” controlava ao menos 22 empresas usadas para fraudar contas, incluindo sociedades de propósito específico (SPEs), criadas para blindar os sócios. Entre as irregularidades, foram identificadas transações muito superiores à renda mensal declarada pelo empresário, de pouco mais de R$ 24 mil. Uma de suas empresas, por exemplo, recebeu mais de R$ 11 milhões da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC). Além disso, ele é suspeito de manter uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas para proteger seu patrimônio.

O depoimento na CPMI

Inicialmente, Antônio Carlos não compareceu à sessão marcada para o dia 15 de setembro. Uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, desobrigava sua presença. Porém, diante da aprovação de convocações de sua esposa, Tânia Carvalho dos Santos, e de seu filho, Romeu Carvalho Antunes, ambos apontados como sócios em empresas suspeitas, o empresário aceitou falar ao colegiado.

Mesmo preso em Brasília, pediu apenas que não fosse conduzido com algemas, alegando estar colaborando com a investigação. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reforçou que a condução coercitiva estava prevista caso houvesse nova ausência. “Ainda que ele queira ficar em silêncio, há muitos pontos que ele pode esclarecer, porque é o principal cérebro de toda essa operação, de toda essa máfia que tomou conta da Previdência”, declarou.

Outros investigados e desdobramentos

Além do “careca do INSS”, o empresário Maurício Camisotti também foi preso, acusado de ser beneficiário final das fraudes. A comissão já ouviu dois sócios de Antônio Carlos: Milton Salvador de Almeida Júnior e Rubens Oliveira Costa, que chegou a receber voz de prisão durante seu depoimento.

O nome do advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues também entrou na mira. Ele já prestou depoimento e foi alvo de busca e apreensão em São Paulo. Há pedidos para sua prisão preventiva e para a quebra de sigilos bancário e fiscal, mas até o momento o STF não autorizou a detenção.

Luxo e ostentação sob suspeita

As investigações também revelaram indícios de ocultação de bens. Em maio, a PF apreendeu seis carros de luxo ligados ao empresário. Os veículos podem ter sido comprados com recursos desviados do esquema, em mais uma tentativa de blindagem patrimonial.

O depoimento de hoje é considerado um marco na CPMI. Não apenas pela expectativa de novas revelações sobre os bastidores da fraude, mas porque simboliza a possibilidade de responsabilizar quem enriqueceu à custa da fragilidade dos mais vulneráveis.

No fim, a presença do “careca do INSS” diante dos parlamentares traz um lembrete doloroso: enquanto milhares de aposentados contavam moedas para sobreviver, havia quem transformava suas dificuldades em fonte de enriquecimento ilícito. Agora, cabe ao Congresso e à Justiça dar uma resposta firme; e à sociedade, cobrar para que histórias como essa não se repitam.

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Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/Linked

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