Tribunal concede habeas corpus a Juliana Brasil Santos, mas polícia contesta prova e aguarda perícia no sistema do hospital em Manaus.
A dor que atravessa uma família, o silêncio que toma conta de um lar e a comoção que ecoa pelo país. O caso do pequeno Benício Xavier de Freitas, de apenas seis anos, segue cercado de emoção, indignação e muitas perguntas sem resposta. Nesta terça-feira (9), um novo capítulo trouxe surpresa: a Justiça negou o pedido de prisão da médica Juliana Brasil Santos, responsável por administrar uma dose de adrenalina na veia da criança, após a apresentação de um vídeo que, segundo a defesa, apontaria falha no sistema do hospital.
De acordo com informações repassadas pelo delegado Marcelo Martins ao programa CNN Novo Dia, o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus à médica ao entender que, em tese, ela não teria cometido erro na prescrição do medicamento. A defesa sustenta que o sistema do Hospital Santa Júlia teria alterado automaticamente a via de administração do remédio, o que teria levado ao resultado trágico.
Polícia contesta versão apresentada pela defesa
Apesar da decisão judicial, a investigação policial segue em outro ritmo. O delegado Marcelo Martins afirmou que, em visitas realizadas ao Hospital Santa Júlia, a equipe já identificou indícios de que a versão apresentada pela médica não se sustenta.
Segundo ele, mesmo em uma análise inicial, não foi constatada a existência do suposto defeito no sistema. A Polícia Civil agora aguarda uma perícia técnica detalhada que irá examinar, de forma minuciosa, o funcionamento do sistema hospitalar para esclarecer, de forma definitiva, se o vídeo apresentado condiz ou não com a realidade.
Perícia pode mudar rumos do caso
O delegado foi direto ao afirmar que, caso a perícia comprove que o vídeo contém informações falsas, a situação da médica pode se agravar. Nesse cenário, além das responsabilizações já investigadas, poderá ficar caracterizado que a Justiça foi induzida ao erro pela defesa.
A perícia será fundamental para definir se houve falha tecnológica, erro humano ou uma tentativa de desviar a responsabilidade pelos fatos que culminaram na morte da criança.
Repercussão e questionamentos sobre segurança hospitalar
O caso ganhou repercussão nacional não apenas pela comoção gerada pela morte de uma criança, mas também por levantar questionamentos profundos sobre protocolos de segurança, uso de sistemas automatizados, treinamento de equipes e responsabilidade médica em ambientes hospitalares.
A cada nova atualização, o sentimento que fica é de apreensão e espera por respostas. No centro de tudo, permanece uma família marcada pela perda irreparável de um filho, enquanto a sociedade acompanha, entre a esperança por justiça e o temor de que a dor de Benício se transforme apenas em mais um número. A verdade técnica agora se tornou a principal chave para que esse caso encontre, enfim, um desfecho à altura da gravidade do que aconteceu.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Redes Sociais













