Depoimento revela preocupação com a baixa qualidade dos ativos e afasta relato de pressões sobre decisão do Banco Central.
O avanço das investigações sobre o caso Banco Master continua revelando números que impressionam e acendem alertas sobre a solidez das operações envolvendo recursos públicos. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que as perdas do Banco de Brasília podem alcançar a marca de R$ 5 bilhões em decorrência da negociação com o Master.
A oitiva ocorreu no fim do ano passado e, embora o processo corra sob sigilo, o conteúdo foi confirmado pela CNN Brasil. As declarações reforçam a gravidade do episódio, que segue sob análise do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
Negociação sob suspeita
Segundo as investigações, o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito da Consultoria Tirreno sem efetuar o pagamento correspondente. Posteriormente, esses mesmos créditos teriam sido revendidos ao BRB, operação que resultou na transferência imediata de R$ 12,2 bilhões.
Diante do risco identificado, o Banco Central já determinou que o Banco de Brasília realizasse um provisionamento de R$ 2,6 bilhões, ou seja, a constituição de uma reserva financeira para cobrir possíveis prejuízos decorrentes da operação.
Alerta para novas provisões
No depoimento, Ailton de Aquino indicou que esse valor pode não ser suficiente. De acordo com ele, a autoridade monetária avalia a necessidade de um novo provisionamento, justamente em razão da fragilidade dos ativos entregues ao BRB.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, afirmou o diretor do Banco Central, sinalizando que o impacto total pode se aproximar de R$ 5 bilhões.
Decisão técnica, sem pressões
Ainda durante o depoimento, Aquino negou ter sofrido qualquer tipo de pressão, seja contra ou a favor, no processo que culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central no ano passado.
O caso, que envolve cifras bilionárias e instituições centrais do sistema financeiro, segue ampliando o debate sobre governança, fiscalização e responsabilidade na gestão de recursos públicos. Mais do que números, o episódio expõe a necessidade de rigor técnico e transparência para preservar a confiança em um setor que sustenta a economia e impacta diretamente a vida da sociedade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













