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Caso Master: Mendonça chama diretor-geral da PF para reunião e quer detalhes do inquérito

Novo relator no STF busca atualização completa das investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A mudança na relatoria do caso Banco Master já produz efeitos nos bastidores de Brasília. Um dia após assumir o inquérito no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça convocou para esta sexta-feira (13) uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com os delegados responsáveis pelo caso.

Segundo informações apuradas pela Jovem Pan, Mendonça quer ser atualizado sobre o andamento das investigações e conhecer, em detalhes, os próximos passos do inquérito que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Celular de Vorcaro e novas informações

Os investigadores também estão reunindo dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do banco. O material deverá ser compartilhado com o novo relator, ampliando o escopo de informações sob análise no Supremo.

A reunião ocorre em meio a um cenário de tensão institucional. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria depois que relatório da PF apontou menções a ele em perícia feita no aparelho de Vorcaro. A corporação chegou a pedir a arguição de suspeição do magistrado.

Bastidores no Supremo

Na quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma reunião com os ministros para tratar do conteúdo do relatório. Segundo apuração, Toffoli argumentou que não via motivos para se afastar, mas acabou cedendo diante do isolamento interno.

Em nota conjunta, os dez ministros afirmaram que as acusações não configuravam hipótese de suspeição e reconheceram a validade dos atos já praticados por Toffoli no processo.

Entenda o caso Banco Master

O caso ganhou dimensão nacional após o Banco Central do Brasil determinar, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado, também teve o encerramento forçado.

As investigações apontam que o banco oferecia CDBs com rentabilidade muito acima da média de mercado. Para sustentar essa política, teria assumido riscos elevados e estruturado operações que inflavam artificialmente o balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

O episódio é considerado um dos mais graves do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos, ao lado da liquidação da gestora Reag. Além das suspeitas de fraude, o caso expôs tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União, o Banco Central e a própria Polícia Federal.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Créditos iniciou o ressarcimento aos credores do Banco Master, do Banco Master de Investimento e do Banco Letsbank. O valor total das garantias chega a R$ 40,6 bilhões.

Mais do que um caso de investigação financeira, o episódio escancara a delicada engrenagem que sustenta a confiança no sistema bancário e nas instituições de controle. Em um cenário de crise, cada decisão, cada relatório e cada reunião deixam claro que o que está em jogo vai além de cifras bilionárias: trata-se da credibilidade das instituições que deveriam proteger o dinheiro e a confiança da sociedade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

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