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Caso Zambelli amplia pressão por renúncia de Ramagem na Câmara

Aliados pedem tempo para costurar acordo e evitar novo embate entre Legislativo e Supremo.

A renúncia de Carla Zambelli ao mandato não encerrou apenas um capítulo turbulento na Câmara dos Deputados. Ela abriu um precedente que agora reverbera nos corredores do Congresso e reacende tensões institucionais. Desde a decisão da parlamentar, a pressão aumentou sobre o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que passou a ser visto como o próximo nome no centro de um impasse entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores, aliados de Ramagem admitem que a renúncia pode se tornar uma saída estratégica, sobretudo se o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cumprir a promessa de levar o caso ao plenário ainda nesta semana. A avaliação é de que abrir mão do mandato poderia preservar direitos políticos e poupar a Casa de mais um desgaste público.

Disputa por tempo e articulação política

No PL, a principal batalha agora é ganhar tempo. A legenda tenta postergar qualquer definição sobre o futuro de Ramagem, que corre o risco de perder o mandato seja por votação em plenário, seja por decisão da Mesa Diretora. A estratégia passa por negociar uma saída menos traumática, nos moldes do que ocorreu com Zambelli.

Diferentemente de Eduardo Bolsonaro, Ramagem ainda não atingiu o número máximo de faltas que permitiria à Mesa cassar automaticamente o mandato. Nesse caso, Hugo Motta estaria atendendo a uma determinação do STF, que, assim como no episódio envolvendo Zambelli, ordenou à Câmara o reconhecimento da perda do mandato parlamentar.

Precedente de Zambelli pesa nos bastidores

Zambelli teve o mandato cassado por decisão judicial e, diante da iminência da perda dos direitos políticos, optou pela renúncia. O gesto retirou das mãos de Hugo Motta a responsabilidade de decidir sobre o caso, após o ministro Alexandre de Moraes anular uma deliberação do plenário da Câmara.

Desde o anúncio da renúncia, no domingo (14), líderes partidários passaram a defender que uma solução semelhante seja construída para Ramagem. O objetivo é evitar um novo embate direto com o Supremo e poupar a Câmara de uma derrota anunciada. Entre parlamentares da oposição, a leitura é clara: uma eventual votação em plenário tende a ser anulada novamente pela Corte, repetindo o roteiro do caso Zambelli.

Cálculos de Hugo Motta e risco de novo revés

A CNN Brasil mostrou que deputados próximos ao presidente da Câmara defendem retirar o caso de Ramagem da pauta da próxima semana. Para esse grupo, um recuo agora seria menos danoso do que insistir em uma votação que exponha a Casa a mais um constrangimento institucional, aprofundando o atrito tanto com o plenário quanto com o STF.

Há ainda quem defenda adiar outras decisões sensíveis. Alguns líderes sugerem que o caso de Eduardo Bolsonaro seja deixado para fevereiro, com o início do próximo ano legislativo. Hugo Motta, porém, já sinalizou a integrantes da Mesa Diretora que pretende seguir com a cassação, já que Eduardo atingiu o limite de faltas permitido. Nesse caso, a decisão não depende do plenário.

No rastro da renúncia de Zambelli, a Câmara se vê diante de escolhas que vão além de nomes e mandatos. O que está em jogo é a capacidade do Parlamento de administrar crises sem aprofundar fissuras institucionais. Entre acordos de bastidor, pressões públicas e decisões judiciais, cada passo dado agora pode redefinir não apenas destinos individuais, mas a relação entre os Poderes em um momento de máxima sensibilidade política.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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