Ex-governador de Rondônia dispara contra senador e diz que só está fora da política por injustiça da Justiça.
A política rondoniense voltou a ferver nesta semana. Poucas horas depois da aprovação do projeto que muda as regras da Lei da Ficha Limpa, o ex-governador Ivo Cassol (PP) quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o assunto. Em um tom carregado de indignação, Cassol não poupou críticas ao senador Jaime Bagattoli (PL), que votou contra o texto.
“Falso moralista e covarde”
Durante entrevista à Rádio Plan FM, Cassol disparou contra o parlamentar, chamando-o de “falso moralista” e “covarde”. Bagattoli havia afirmado que a alteração na lei seria um “péssimo recado à sociedade” e “carta branca para a impunidade”. A resposta veio dura: “Ele não tem moral para falar de mim”, atacou Cassol.
O ex-governador ainda lembrou que ajudou Bagattoli em sua trajetória política. “Você só é senador por minha causa, Jaime. Por causa do Ivo Cassol”, afirmou, em tom de desafio.
Comparações e aliados
Cassol aproveitou a entrevista para comparar a postura de Bagattoli com a de Marco Rogério (PL), a quem fez questão de elogiar. Segundo ele, o colega do mesmo partido de Bagattoli teria demonstrado coragem. “Marco Rogério defendeu o justo, não pensou em mim, mas no direito de qualquer político que já pagou sua pena poder voltar. Isso é justiça. Bagattoli é analfabeto político”, disparou.
No embalo das críticas, o ex-governador também citou Jair Bolsonaro. “O Bolsonaro foi injustiçado. E eu também estou sendo injustiçado”, afirmou, numa tentativa de aproximar sua narrativa da do ex-presidente.
“Prisão perpétua política”
Cassol voltou a se defender das acusações que o tornaram inelegível, negando desvio de recursos e corrupção. “Eu já paguei pelo que a Justiça determinou. O que não pode é transformar isso em prisão perpétua política”, declarou.
Além da questão da Ficha Limpa, o ex-governador aproveitou para criticar a proposta de privatização da BR-364, classificando-a como “uma vergonha do governo federal”.
Caminho para 2026
Mesmo sem confirmar oficialmente, Cassol deixou claro que pretende voltar às urnas caso esteja elegível. A aprovação do PLP 192/2023 pode abrir essa porta, já que juristas avaliam que a mudança no texto da lei favorece políticos que já cumpriram suas penas.
Para muitos, as falas de Cassol revelam não apenas o desejo de retorno, mas também a sede de disputar novamente espaço num cenário político cada vez mais marcado por alianças frágeis e rompimentos ruidosos. O futuro de Ivo Cassol, assim como o impacto da nova Ficha Limpa, ainda está em aberto e promete mexer com a história política de Rondônia nos próximos anos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniadinâmica













