Líder petista em São Paulo acusa senador de usar a disputa presidencial como pressão para anistiar Jair Bolsonaro.
A corrida antecipada ao Planalto já começa carregada de tensão, ataques diretos e disputas de bastidores. A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 provocou reação imediata da oposição e acendeu o alerta no Congresso, ao ser interpretada como uma tentativa de pressão política em favor da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O líder do PT em São Paulo, deputado federal Kiko Celeguim, não poupou palavras ao classificar a estratégia como “chantagem pura”. Para ele, ao estipular que o “preço” para desistir da disputa seria a anistia do pai, Flávio tenta forçar a pauta no Parlamento e constranger as principais lideranças da Casa.
Pressão sobre o Congresso e a anistia
“Estão chantageando o presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e os líderes dos partidos do Centrão a votar a anistia do Bolsonaro. Não acho que tenha espaço para isso passar no Parlamento”, afirmou Celeguim. Na avaliação do petista, não há ambiente político favorável para a aprovação da proposta e, por isso, o bolsonarismo deverá manter a candidatura de Flávio até o fim como estratégia de pressão permanente.
Efeitos em São Paulo e o futuro de Tarcísio
O deputado também avaliou os reflexos da decisão no cenário paulista. Segundo ele, o governador Tarcísio de Freitas saiu politicamente fragilizado com a indicação de Flávio. “Ele trabalhou o tempo todo para ser candidato a presidente. Agora, com esse banho de água fria, deve ter problemas até para a reeleição”, afirmou, ao apontar dificuldades para que o governador construa alianças ao centro diante da força do bolsonarismo.
Celeguim ainda disse estar otimista com o desempenho do governo Lula nos próximos meses, sobretudo com os efeitos da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Para ele, a melhora nos indicadores pode impulsionar a popularidade do governo e fortalecer a esquerda no maior colégio eleitoral do país. “A gente pode ter uma candidatura muito competitiva”, projetou.
A indicação de Flávio e o jogo interno no bolsonarismo
A indicação de Flávio Bolsonaro foi feita pelo próprio Jair Bolsonaro na última sexta-feira (5) e confirmada pelo PL. Até então, o senador não figurava como favorito entre analistas, que viam em Tarcísio de Freitas o nome mais forte do campo conservador para enfrentar Lula, com apoio do mercado e do Centrão.
Outros nomes da família também estavam no radar: Eduardo Bolsonaro perdeu força após deixar o país e articular sanções contra o Brasil nos Estados Unidos, enquanto Michelle Bolsonaro aparece como aposta para ampliar o eleitorado feminino, embora pese contra ela a pouca experiência política e conflitos internos no partido.
No meio desse tabuleiro, Flávio surge como o perfil mais pragmático da família, com maior trânsito no centro e até em setores da esquerda. A característica pode facilitar alianças, mas também gera resistência na ala mais radical do bolsonarismo.
No horizonte, o cenário é de embate duro, discursos afiados e muito jogo de pressão nos bastidores. Mais do que uma disputa eleitoral, a pré-candidatura de Flávio já nasce como peça central de uma guerra política que promete se intensificar nos próximos meses.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













