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Chuva que devastou MG deixa 23 mortos e 47 desaparecidos: o que sabemos até agora

Temporal histórico entrou para os registros e deixou cidades inteiras em socorro, buscas e luto na Zona da Mata mineira.

O impacto ainda ecoa nas ruas alagadas de Minas Gerais. O que começou como uma chuva intensa entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça se transformou em uma das maiores tragédias climáticas recentes da Zona da Mata. Em poucas horas, bairros inteiros ficaram submersos, casas desabaram e famílias foram arrancadas da própria rotina pela força da água. Até o momento, são 23 mortos e 47 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

As cidades mais atingidas são Juiz de Fora e Ubá, onde os temporais provocaram enchentes históricas, deslizamentos de terra e um cenário de destruição que ainda está sendo contabilizado.

Devastação em Juiz de Fora e Ubá

Em Juiz de Fora, foram registradas 16 mortes relacionadas às ocorrências provocadas pela chuva. O volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro de 2026 o mês mais chuvoso já registrado na história do município. O Rio Paraibuna transbordou, pontes foram interditadas e a água invadiu áreas comerciais e residenciais.

Pelo menos 440 pessoas estão desabrigadas em diferentes bairros da cidade, segundo a Defesa Civil. A prefeitura decretou estado de calamidade pública e suspendeu aulas e serviços não essenciais para concentrar esforços no atendimento às vítimas.

Já em Ubá, município vizinho, sete pessoas morreram. O rio que corta a cidade atingiu 7,82 metros, nível considerado histórico. De acordo com a Defesa Civil municipal, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, volume suficiente para provocar a maior inundação dos últimos anos.

Buscas e operação de emergência

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais seguem mobilizadas nas duas cidades em operações de busca por desaparecidos, resgate de moradores ilhados e atendimento a ocorrências de soterramento.

Salas de crise foram montadas para coordenar as ações emergenciais. Em Ubá, o município instaurou plano de contingência para organizar o acolhimento das famílias desalojadas e a distribuição de ajuda humanitária.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou luto oficial de três dias no estado e afirmou que acompanha de perto a situação. O vice-governador, Mateus Simões, deslocou-se para a região para acompanhar os trabalhos.

Alerta vermelho e risco de novas ocorrências

O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta vermelho para acumulado de chuva em áreas do Sudeste até a próxima sexta-feira. O aviso indica grande perigo, com previsão de volumes superiores a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia.

O alerta abrange regiões da Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Oeste, Sul e Sudoeste de Minas, Campo das Vertentes, Vale do Mucuri e Região Metropolitana de Belo Horizonte. O solo já encharcado aumenta o risco de novos deslizamentos e transbordamentos de rios.

Entre a lama e a esperança

Quando a chuva dá trégua, o que fica é o silêncio pesado de quem perdeu alguém e o esforço coletivo para recomeçar. Há casas cobertas de lama, ruas irreconhecíveis e famílias tentando localizar parentes desaparecidos. Mas também há vizinhos acolhendo vizinhos, voluntários distribuindo alimentos e equipes trabalhando sem descanso.

Mais do que números, esta tragédia expõe a vulnerabilidade de cidades inteiras diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Minas Gerais vive dias de luto, mas também de resistência. E, enquanto as buscas continuam, a pergunta que permanece é como transformar dor em reconstrução e prevenção, para que histórias como essas não se repitam com a mesma intensidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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