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Com desafio político à frente, novo chefe da Casa Civil de Tarcísio inicia diálogo com partidos

Roberto Carneiro começa rodada de reuniões para destravar articulação, reaproximar siglas e responder às cobranças de prefeitos.

A engrenagem política do governo paulista começa a girar com mais intensidade em um momento decisivo. Diante das pressões crescentes de partidos aliados e prefeitos do interior, o novo secretário da Casa Civil de São Paulo, Roberto Carneiro (Republicanos), inicia nesta quinta-feira (29) uma série de reuniões com presidentes de partidos, em uma tentativa clara de reorganizar a articulação política do Palácio dos Bandeirantes.

As agendas ocorrerão na sede do governo estadual e têm como ponto de partida um encontro considerado simbólico: a conversa com o presidente estadual do PP, Maurício Neves. A relação entre o governo e o partido vinha atravessando um período de desgaste, o que torna a reunião um termômetro importante do novo momento político prometido por Carneiro.

Mudança na Casa Civil e reforço da articulação

A partir desse primeiro encontro, a intenção do novo secretário é abrir diálogo com todas as principais siglas que compõem ou orbitam a base do governador Tarcísio de Freitas, como União Brasil e PL. A leitura predominante entre interlocutores do governo é de que a troca no comando da Casa Civil responde à necessidade urgente de melhorar a interlocução política, sobretudo em ano eleitoral.

Nomeado na semana passada, Roberto Carneiro acumula também a presidência estadual do Republicanos, partido de Tarcísio. Segundo o próprio governador, a escolha teve como objetivo fortalecer os acordos políticos e ampliar o diálogo institucional, algo que vinha sendo apontado como um dos principais gargalos da gestão.

Tarcísio, conhecido por adotar uma postura mais técnica e avessa a negociações tradicionais da política, sempre resistiu à lógica de promessas de cargos ou concessões. Seu antecessor na Casa Civil, Arthur Lima, era visto como um gestor focado em processos internos e na burocracia administrativa, perfil que passou a ser questionado diante do aumento das insatisfações.

Pressão de prefeitos e reclamações da base

As críticas mais recorrentes partiram de prefeitos do interior, especialmente pela lentidão na liberação de recursos para os municípios, e de integrantes da base aliada, que cobram maior presença política de Tarcísio em eventos partidários e ações de comunicação, como gravações para redes sociais.

Desde agosto de 2025, prefeitos do noroeste paulista vêm se articulando para pressionar o governo estadual. A primeira mobilização ocorreu durante o Congresso Estadual de Municípios, na capital, e se repetiu em janeiro deste ano. Em alguns atos, faixas com a frase “SOS governador: cidades do oeste paulista pedem socorro” chamaram atenção para o descontentamento.

Sob condição de anonimato, representantes da Unipontal, a União dos Municípios do Pontal do Paranapanema, relataram à coluna a necessidade de “mais apoio financeiro e menos burocracia na liberação das verbas já pactuadas”. Um dos prefeitos afirmou que a chegada de Carneiro gera expectativa, mas ainda é recebida com cautela. “Há esperança, mas também desconfiança se algo realmente vai mudar desta vez”, resumiu.

O papel de Kassab e o cenário eleitoral

Antes da nomeação de Carneiro, o principal articulador político do governo era Gilberto Kassab, secretário de Relações Institucionais e presidente nacional do PSD. Interlocutores reconhecem que Kassab teve papel relevante na construção da boa imagem de Tarcísio no interior do estado, mas avaliam que o foco no fortalecimento do próprio partido acabou, em alguns momentos, travando negociações mais amplas.

Como antecipado por esta coluna, Kassab deve deixar o cargo até março para disputar as eleições deste ano. Tarcísio já teria escolhido um substituto, mas aguarda uma sinalização do próprio secretário para oficializar a exoneração.

A chegada de Roberto Carneiro à Casa Civil simboliza mais do que uma simples troca administrativa. Ela revela a consciência do governo paulista de que, sem diálogo político, até as gestões mais técnicas correm o risco de perder sustentação. Em um cenário pré-eleitoral marcado por cobranças e expectativas, o sucesso dessa nova fase dependerá menos de discursos e mais da capacidade de transformar promessas de articulação em respostas concretas para partidos, prefeitos e eleitores.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Republicanos

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