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Congresso se divide sobre anistia a Bolsonaro e articula CPMI da Vaza-Toga

Oposição busca perdão amplo desde 2019, enquanto governistas alertam para riscos à democracia e à Constituiçã.

O debate sobre uma eventual anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e outras investigações políticas acende tensões no Congresso Nacional. A oposição apresentou uma minuta de projeto de lei, mas a proposta divide parlamentares entre defensores de um perdão amplo e críticos que alertam para os riscos à democracia e à separação dos Poderes.

Projeto de anistia ampla

Segundo a minuta, obtida pela CNN, o texto prevê o perdão a todos que tenham sido ou possam ser investigados ou condenados por crimes como ataques às instituições públicas, descrédito ao processo eleitoral, dano ao patrimônio da União ou constituição de milícia privada. A anistia abrangeria todos os casos desde 14 de março de 2019, início do inquérito das fake news no STF, incluindo inelegibilidades já declaradas ou que venham a ser impostas, e tem como objetivo viabilizar a elegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2026.

A articulação a favor do projeto ganhou força nos últimos dias com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Brasília. Líderes religiosos e parlamentares, como Silas Malafaia e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), também atuam na linha de frente da campanha pelo perdão.

Resistência governista e limites constitucionais

Do outro lado, governistas se posicionam firmemente contra qualquer proposta de anistia ampla. Avaliam que o texto seria inconstitucional, representaria uma agressão ao princípio da separação de Poderes e que não há como perdoar crimes contra a democracia sem ferir a própria Constituição. Ministros do Supremo, segundo relatos nos bastidores, também rejeitam a ideia de um perdão tão abrangente.

No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) trabalha em uma proposta alternativa que reduziria penas de alguns envolvidos, mas sem incluir Bolsonaro. A oposição, entretanto, já sinalizou que não aceitará uma anistia “light”.

CPMI da Vaza-Toga

Paralelamente, a oposição busca avançar com a criação de uma CPMI da Vaza-Toga, com o objetivo de investigar supostos abusos de autoridade e irregularidades praticadas por magistrados do STF. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirma já ter coletado ao menos 143 assinaturas de deputados e 18 de senadores, aproximando-se do mínimo necessário para que o pedido seja protocolado e debatido em plenário.

O debate sobre anistia e fiscalização do Judiciário reforça que decisões políticas e jurídicas têm impacto direto na democracia e na percepção pública sobre justiça. Cada voto, cada articulação, reflete não apenas interesses partidários, mas também o futuro do país e a confiança da sociedade nas instituições.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

Reportagem: CNN Brasil

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