Declaração reacende tensão política e amplia críticas de aliados de Trump e Bolsonaro a Alexandre de Moraes.
O conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jason Miller, afirmou neste domingo (10) que não vai parar até garantir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar. “Para deixar claro, eu não vou parar, não vou desistir, nunca vou ceder, até que o presidente @jairbolsonaro seja livre!!!”, escreveu Miller na rede social X (antigo Twitter).
A mensagem foi publicada em resposta a um internauta que defendeu ser “mais importante o impeachment de [Alexandre de] Moraes do que libertar Bolsonaro”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou na segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente, sob acusação de descumprir medidas cautelares.
Pelas regras impostas, Bolsonaro está proibido de receber visitas, exceto de advogados, e só pode ter contato com pessoas autorizadas pelo Supremo. Ele também não pode usar celular ou redes sociais, nem se aproximar de embaixadores e autoridades estrangeiras. A decisão foi tomada após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizar uma chamada de vídeo com o pai durante a manifestação de Copacabana, no Rio de Janeiro, no domingo (3).
Na decisão, Moraes alertou que o descumprimento de qualquer medida poderá levar à conversão imediata da prisão domiciliar em preventiva. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca na casa do ex-presidente e apreendeu seu celular.
A defesa de Bolsonaro afirmou ter sido surpreendida pela decisão, alegando que ele não violou as cautelares. Segundo os advogados, a breve fala dele no ato do Rio: “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”! não configuraria infração.
As críticas à decisão também vieram do governo americano. Christopher Landau, vice-secretário de Estado dos EUA, disse que um ministro do STF destruiu “o relacionamento historicamente próximo” entre Brasil e Estados Unidos. Sem citar nominalmente Moraes, afirmou que o magistrado “usurpou poder ditatorial” e que essa postura criou um “beco sem saída” para as relações bilaterais.
Mesmo assim, Landau ressaltou que os EUA querem retomar a parceria histórica com o Brasil, mas que, no momento, só conseguem dialogar com os poderes Executivo e Legislativo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













