Comissão instalada no Senado vai investigar o avanço das organizações criminosas e milícias no país
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito, nesta terça-feira (4), presidente da CPI do Crime Organizado, instalada no Senado para investigar o “modus operandi” de facções e milícias que atuam em todo o país. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) será o vice-presidente, e o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o relator dos trabalhos.
A eleição foi marcada por forte disputa entre governo e oposição. A base aliada indicou Contarato, enquanto a oposição apoiou Mourão. O placar apertado: 6 votos a 5, refletiu o clima de tensão política no colegiado. Após o resultado, os parlamentares chegaram a um consenso simbólico, elegendo Mourão vice por aclamação.
Experiência na segurança pública
Delegado da Polícia Civil por 27 anos, Contarato tem histórico ligado ao tema da segurança pública. Já foi líder da bancada do PT no Senado e é reconhecido pelo perfil técnico e firme em pautas de direitos humanos. Ao assumir a presidência, o senador defendeu que o combate ao crime deve ser tratado de forma apartidária:
“A segurança pública é um direito do povo e um dever do Estado. Enquanto eu estiver na presidência dessa CPI, o medo não faltará ao debate sobre o crime. A verdade será a protagonista”, declarou.
O relator, Alessandro Vieira, também é delegado de carreira, com mais de 20 anos de atuação. Foi ele quem articulou a criação da CPI.
Instalação após megaoperação no Rio
A CPI foi criada em junho, mas sua instalação ocorreu apenas agora, após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 100 mortos. O episódio reacendeu o debate sobre o avanço do crime organizado no país e pressionou o Senado a dar andamento às investigações.
A sessão inaugural foi conduzida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), por ser o mais velho do grupo. Durante a reunião, ele rebateu críticas da oposição sobre uma suposta tentativa de “blindagem” ao governo dentro da comissão.
Foco nas facções e milícias
Com prazo de funcionamento de 120 dias e orçamento de R$ 30 mil, a CPI terá como objetivo principal investigar a atuação de facções criminosas e milícias, identificando seu modo de operação e sugerindo medidas concretas de enfrentamento.
Bastidores e cenário político
Nos bastidores, a disputa pelo comando da CPI foi vista como mais um capítulo da tensão entre o governo e a oposição no Senado. O resultado representou uma vitória política do Palácio do Planalto, que conseguiu manter a presidência nas mãos de um aliado.
Ainda assim, parlamentares afirmam que a condução de Contarato deve ser técnica e independente, evitando transformar a comissão em palco de embates ideológicos. A oposição, por sua vez, promete vigilância constante sobre os rumos da investigação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













