Home / Politica / CPI do Banco Master pode avançar sobre sigilos e expor bastidores do poder

CPI do Banco Master pode avançar sobre sigilos e expor bastidores do poder

Deputado defende quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro e levanta suspeitas de interferência política no caso.

Há momentos em que a política é chamada a atravessar a superfície dos discursos e mergulhar nos bastidores onde decisões realmente acontecem. O caso do Banco Master entrou exatamente nesse ponto de inflexão. Com suspeitas de fraudes, pressões políticas e encontros reservados, o debate agora ganha contornos mais duros no Congresso Nacional, reacendendo a discussão sobre até onde vai a responsabilidade institucional diante de um escândalo financeiro de grandes proporções.

Nesta segunda-feira (2), o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master. Em entrevista à CNN, o parlamentar foi direto ao ponto ao afirmar que uma CPI tem poderes para quebrar sigilos e que isso seria essencial para o avanço das investigações.

Poderes da CPI e foco em Vorcaro

Segundo Rollemberg, a CPI pode, sim, determinar a quebra de sigilo telefônico e telemático do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para o deputado, esse passo é decisivo para revelar com quem o empresário manteve contato durante o período investigado.

“A Comissão Parlamentar de Inquérito tem poderes de polícia. Então, ela pode quebrar o sigilo telefônico e telemático e abrir para mostrar quem está no telefone do Vorcaro”, afirmou o parlamentar.

Rollemberg sustenta que a investigação precisa esclarecer se houve interferência política e pressão de parlamentares para que o BRB adquirisse o Banco Master. Para ele, sem o acesso aos registros de comunicação, o esclarecimento dos fatos fica incompleto.

Governadores também entram no radar

O deputado também defendeu a quebra de sigilo telefônico de dois governadores: Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro). A menção aos chefes dos Executivos estaduais amplia o alcance político do caso e eleva a tensão institucional em torno das apurações.

Vorcaro afirmou à Polícia Federal que se reuniu mais de uma vez com Ibaneis, incluindo um encontro realizado na residência oficial do governador. Após a citação, partidos como PSB, Cidadania e PSOL apresentaram pedidos de impeachment contra o governador do DF.

No caso de Cláudio Castro, a investigação se relaciona a uma operação da PF que teve como alvo o Rioprevidência, fundo de previdência do estado do Rio de Janeiro. Segundo apurações, o fundo teria mantido investimentos em ativos ligados ao Banco Master mesmo após alerta do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) sobre os riscos dessas aplicações.

Obstáculos políticos à CPI

Apesar da pressão, a instalação de uma CPI específica sobre o Banco Master enfrenta resistências. Como revelou a CNN, a avaliação no Senado é de que este ainda não seria o momento político adequado para abrir uma CPMI sobre o caso. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem defendido cautela.

Na Câmara dos Deputados, o cenário também não é simples. Há pelo menos 15 pedidos de CPI aguardando análise, o que dificulta o avanço imediato da proposta. Embora o regimento não permita furar a fila, especialistas lembram que acordos políticos podem alterar prioridades quando há interesse da maioria.

O que está em jogo no caso Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, apontando uma grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Além do Banco Master S/A, também foram liquidados o Banco Master de Investimento, o Letsbank e a Master Corretora.

A medida veio acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a emissão de títulos de crédito falsos. Daniel Vorcaro foi preso no âmbito da operação em 17 de novembro, um dia antes da decisão oficial do Banco Central.

No fim das contas, o que está em disputa vai além da responsabilização individual. Trata-se de entender se interesses políticos atravessaram decisões técnicas, se instituições falharam em seus alertas e até onde o sistema está disposto a se investigar. A possível CPI do Banco Master surge como um divisor de águas: ou ilumina os corredores escuros do poder ou se soma à longa lista de investigações que nunca chegaram ao fundo da verdade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *