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CPMI aprova quebra de sigilos de “careca do INSS”, Stefanutto e ex-dirigentes

Comissão também vai ouvir nesta quinta-feira (11) ex-ministro José Carlos Oliveira, que chefiou o INSS e o Ministério do Trabalho no governo Bolsonaro.

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (11) uma bateria de requerimentos de quebra de sigilos que atinge ex-dirigentes do instituto, empresários e entidades ligadas à Previdência. O colegiado busca avançar nas investigações sobre supostas irregularidades na gestão do órgão.

Entre os alvos, estão Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Também foi incluído o empresário Maurício Camisotti, além de ex-diretores e sócios de associações e consultorias. As quebras aprovadas alcançam os períodos a partir da celebração de Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o instituto até os dias atuais.

Pauta extensa e negociações

A reunião, marcada inicialmente para a análise de 406 requerimentos, foi resultado de intensa negociação entre governistas, oposição e o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo ele, foram retirados da lista nomes não citados em relatórios da Polícia Federal.

Além da quebra de sigilos bancário e fiscal, a comissão aprovou pedidos de informações ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ampliando o rastreamento de movimentações financeiras ligadas ao INSS.

Depoimento de ex-ministro

A sessão desta quinta-feira também contará com a oitiva do ex-ministro José Carlos Oliveira, que recentemente alterou seu nome para Ahmed Mohamad Oliveira Andrade. Servidor de carreira do INSS desde 1985, ele presidiu o instituto entre 2021 e 2022 e assumiu o comando do Ministério do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro.

Será o segundo depoimento de um ex-ministro à CPMI. O primeiro foi o de Carlos Lupi, ouvido na última segunda-feira (8), em sessão que se estendeu pela madrugada. Diferentemente de convocações, os depoimentos de ministros e ex-ministros serão feitos por meio de convites, após acordo no colegiado.

Escopo das investigações

A comissão definiu como recorte temporal os fatos ocorridos a partir de 2015, período em que se concentrarão as apurações. Oliveira, que também já foi vereador em São Paulo, deve esclarecer aspectos de sua gestão no INSS e no ministério, em meio às suspeitas que cercam contratos e acordos do período.

Ao avançar com quebras de sigilo e oitivas de ex-ministros, a CPMI entra numa fase decisiva. Cada documento e cada depoimento têm potencial de revelar não apenas irregularidades administrativas, mas também as engrenagens políticas que historicamente cercam o sistema previdenciário brasileiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Redes Sociais

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