Comissão também autoriza convocações de servidores afastados e quebras de sigilo em meio a investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários.
A cada depoimento, a CPMI do INSS deixa mais clara a dimensão do esquema que atingiu milhares de aposentados e pensionistas. Nesta quinta-feira (2), a comissão aprovou o pedido de prisão preventiva de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, que já havia sido preso em flagrante por falso testemunho durante seu depoimento na terça-feira (29). Agora, o pedido será enviado ao Supremo Tribunal Federal para análise.
Prisões em meio aos depoimentos
Lopes foi detido por determinação do presidente da comissão, senador Carlos Viana, mas liberado após pagar fiança. Viana reforçou que quem mentir nos depoimentos será preso e que aqueles que se recusarem a comparecer poderão ser conduzidos coercitivamente. Rubens Oliveira Costa, empresário apontado como intermediário do “Careca do INSS”, também recebeu voz de prisão durante seu depoimento em setembro.
Convocações e quebras de sigilos
A CPMI aprovou a convocação de diversos servidores afastados do INSS, como Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do instituto, e sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, além de Jucimar Fonseca da Silva e Jobson de Paiva Silveira Sales. Todos terão quebras de sigilo telemático ou telefônico. O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro, poderá ser ouvido dentro da Polícia Federal mesmo com habeas corpus que o desobrigava de comparecer à comissão.
CGU no centro das investigações
O ministro da Controladoria-Geral da União, Vinicius de Carvalho, detalhou nesta semana as fraudes de descontos irregulares em benefícios previdenciários. A CGU e a Polícia Federal já haviam revelado, em abril, as primeiras evidências do esquema que prejudicou milhares de beneficiários.
Os desdobramentos da CPMI mostram que a luta não é apenas contra culpados, mas contra um sistema que permitiu que a vulnerabilidade dos mais idosos fosse explorada. Cada decisão da comissão carrega um apelo profundo: restaurar a confiança e garantir que aqueles que dedicaram suas vidas ao trabalho possam envelhecer com dignidade e justiça.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













