Primeira reunião do colegiado em 2026 promete decisões sensíveis e reacende foco sobre suspeitas em empréstimos consignados.
Depois de meses de expectativa e pressão nos bastidores, a CPMI do INSS retoma os trabalhos colocando na mesa temas que mexem diretamente com o sistema previdenciário e o bolso de milhões de brasileiros. A reunião marcada para a manhã desta quinta-feira surge cercada de tensão política e promete marcar um novo fôlego das investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo empréstimos consignados.
Na pauta do encontro está a votação da quebra de sigilo do Banco Master e o depoimento de Gilberto Waller Júnior, atual presidente do INSS. Esta será a primeira reunião da comissão neste ano, e integrantes do colegiado têm defendido que o momento é decisivo para aprofundar as apurações e dar respostas à sociedade.
Adiamento de oitiva e movimentação nos bastidores
Inicialmente, a comissão havia convocado para esta quinta-feira o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No entanto, na terça-feira, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, informou que recebeu um pedido da defesa do banqueiro solicitando o adiamento da oitiva, o que foi acatado.
O adiamento aumentou a pressão para que outras frentes de investigação avancem, especialmente aquelas que envolvem análise de documentos, dados bancários e movimentações financeiras.
Pauta extensa e medidas mais duras
A reunião desta quinta-feira reúne um total de 78 requerimentos. Além da quebra de sigilo do Banco Master, a lista inclui pedidos de prisão preventiva de empresários investigados e também de José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência e ex-presidente do INSS. Oliveira já prestou depoimento à CPMI em setembro do ano passado.
Outro requerimento chama atenção por solicitar à Agência Nacional de Aviação Civil informações detalhadas sobre voos, destinos e listas de passageiros de aeronaves registradas em nome da Viking Participações Ltda, empresa que tem Daniel Vorcaro como sócio-fundador.
Avanço sobre sigilos e dados financeiros
Os demais pedidos em análise tratam da quebra de sigilo e da solicitação de relatórios de inteligência financeira de empresas e associações ligadas aos investigados. Parlamentares avaliam que o acesso a esses dados é fundamental para esclarecer o alcance das supostas irregularidades e identificar responsabilidades.
Mais do que uma reunião protocolar, o encontro desta quinta-feira representa um teste para a CPMI: ou o colegiado avança de forma concreta nas investigações, ou corre o risco de perder força diante da opinião pública. Em um tema que envolve aposentados, pensionistas e recursos sensíveis da Previdência, cada decisão tomada carrega o peso da confiança que a sociedade deposita no Parlamento.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













