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Crise em Rondônia: Marcos Rogério sai em defesa de vice e acentua impasse com governador Marcos Rocha

Senador ingressa com ação contra emenda que enfraquece vice-governador e acirra embate político a menos de um ano das eleições de 2026.

A turbulência política em Rondônia ganhou mais um capítulo nesta semana. O senador Marcos Rogério (PL) entrou oficialmente na briga entre o governador Marcos Rocha e os irmãos Júnior e Sérgio Gonçalves: este último, vice-governador do estado. Na segunda-feira (30), o PL protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Rondônia, questionando a validade da Emenda Constitucional nº 174/2025, que alterou as regras de substituição do chefe do Executivo estadual

A emenda, aprovada em junho pela Assembleia Legislativa, permite que o governador continue exercendo suas funções mesmo fora do estado, por meios digitais, sem que o vice assuma interinamente. A medida causou polêmica e foi apelidada por opositores como “governo EAD”.

Para o senador Marcos Rogério, trata-se de uma afronta à Constituição. A ação do PL alega que a mudança fere o princípio da simetria federativa, uma vez que contraria a regra prevista no artigo 79 da Constituição Federal, que prevê a substituição automática do governador pelo vice em casos de ausência ou impedimento.

A medida surge após o vice-governador Sérgio Gonçalves ter tido um mandado de segurança indeferido pelo TJRO. O desembargador Francisco Borges entendeu que o instrumento jurídico não era adequado para questionar o tipo de norma em debate. Coube então ao partido recorrer ao caminho correto: a ADI.

Crise institucional e disputas pessoais

A crise entre Rocha e os irmãos Gonçalves se arrasta desde o fim de 2024, quando o governador rompeu com Júnior Gonçalves, então chefe da Casa Civil. A relação entre Rocha e Sérgio ainda resistiu por um tempo, mas os sinais de desgaste foram se acumulando, especialmente após a exoneração de Júnior, em fevereiro, e o agravamento das tensões políticas nos meses seguintes.

Em meio à guerra no Oriente Médio, Rocha ficou retido em Israel após o fechamento do espaço aéreo, o que acionaria o dispositivo constitucional de transmissão de cargo ao vice, caso a ausência ultrapassasse 15 dias. Para evitar esse cenário, a Assembleia Legislativa aprovou, em regime de urgência, a emenda que agora é alvo da ação do PL.

Durante a ausência de Rocha, Sérgio Gonçalves chegou a criticar publicamente o atual chefe da Casa Civil, Elias Rezende, atribuindo a ele a crise interna do governo. No retorno ao Brasil, Marcos Rocha reagiu: em entrevista, acusou o vice de fomentar boatos e usar “sitezinhos” para ataques pessoais. A fala escancarou o abismo político que hoje separa os dois.

Futuro em jogo

A crise institucional ocorre em um momento decisivo: Marcos Rocha é apontado como pré-candidato ao Senado em 2026. Sua esposa, Luana, cogita disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Já seu irmão articula uma candidatura à Assembleia Legislativa. Para viabilizar qualquer candidatura da família, Rocha precisa deixar o cargo seis meses antes das eleições ; o que abriria caminho para o vice assumir o governo.

Mas esse é justamente o ponto de tensão: o governador quer evitar que Sérgio Gonçalves assuma o Palácio Rio Madeira. Nos bastidores, há quem diga que Rocha estaria tentando um acordo para que, em caso de renúncia, o presidente da Assembleia, Alex Redano, seja o responsável por assumir o Executivo. Para isso, porém, Sérgio também precisaria renunciar; que parece cada vez mais improvável.

No último fim de semana, uma foto publicada nas redes sociais por Júnior Gonçalves mostrou os dois irmãos juntos, em um clima de total sintonia. Foi um recado claro ao governador: o rompimento está consolidado.

Marcos Rogério mira o Palácio

A movimentação de Marcos Rogério não é neutra. Em 2022, o senador perdeu o segundo turno para Rocha por uma margem apertada. Agora, com a popularidade do governador em queda e o racha no Executivo, Rogério volta a articular sua presença em todo o estado. O apoio ao vice-governador é um gesto político que reforça sua atuação como principal opositor de Rocha.

Nos bastidores, aliados avaliam que Rogério pode tentar novamente o governo ou, estrategicamente, apoiar uma candidatura competitiva e disputar a reeleição ao Senado.

Enquanto isso, o cenário político em Rondônia segue efervescente. A ADI apresentada pelo PL pode redefinir as regras do jogo e terá impacto direto no processo eleitoral de 2026. E com tantas peças se movimentando no tabuleiro, tudo indica que o xadrez político local ainda está longe de um xeque-mate.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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