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Crise no Senado: aliados de Bolsonaro travam sabatinas e ameaçam funcionamento de agências reguladoras

Paralisação política gera incertezas em setores estratégicos e acirra clima de tensão em Brasília.

Um impasse político tomou conta do Senado e ameaça paralisar setores vitais do país. Em meio à turbulência provocada pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), senadores aliados ao ex-mandatário decidiram travar as sabatinas de indicados para oito importantes agências reguladoras. A obstrução já provoca atrasos na aprovação de 17 nomes que precisam do aval do Legislativo para assumir cargos estratégicos, deixando em suspense decisões que impactam diretamente áreas como energia, transportes, telecomunicações e mineração.

A movimentação, liderada pelo senador Marcos Rogério (PL-RO), presidente da Comissão de Infraestrutura, transformou o que seria um trâmite técnico em um campo de batalha política. O parlamentar ainda não designou relatores para as sabatinas e, em conversas reservadas com indicados, alertou que este não seria “um bom momento” para levar os nomes à votação, descrevendo o cenário como uma possível “bala perdida”, em que qualquer rejeição serviria apenas para ampliar o caos.

As agências afetadas: ANTT, Anac, ANP, Anatel, Antaq, Aneel, ANM e ANSN, são fundamentais para o equilíbrio de setores estratégicos da economia. A indefinição sobre seus novos dirigentes levanta preocupações em Brasília e no mercado, já que decisões sobre concessões, licenças e fiscalização podem ficar comprometidas.

Polarização política invade o Legislativo
A obstrução é reflexo direto da polarização que tomou o Congresso após o Supremo Tribunal Federal determinar medidas restritivas a Bolsonaro. A base do PL, partido que lidera a oposição, tem usado a paralisação como forma de protesto e de pressão contra o governo Lula (PT) e o Judiciário.

Enquanto isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tenta manter a ordem e já comunicou ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que não há previsão de avanço na Comissão de Infraestrutura. Em outra frente, o senador Otto Alencar (PSD-BA), que comanda a CCJ, afirmou que seguirá com sabatinas de outros órgãos, como o STJ, o STM e o CNJ, sem se pautar pelo “bolsonarismo”.

Pressão também nas redes sociais
Nas redes, o clima é de guerra digital. Perfis alinhados à oposição comemoram o bloqueio, afirmando que o Senado “não vai se curvar ao STF”, enquanto críticos alertam que o impasse ameaça a credibilidade do país e pode afastar investidores, num momento em que o Brasil busca reforçar seu protagonismo em infraestrutura.

A paralisação, que começou como uma resposta política à prisão de Bolsonaro, agora expõe o custo do embate entre governo e oposição: decisões estratégicas para a economia nacional ficam à mercê do jogo de forças em Brasília.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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