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“Decisões judiciais fizeram o RJ se tornar um bunker”, diz Cláudio Castro


Governador do Rio afirma que limitações legais serviram de abrigo para lideranças criminosas e reivindica união no combate ao crime.

Um sentimento de urgência e de inquietação tomou forma no pronunciamento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro nesta quarta-feira (29). Diante da mais letal operação policial já registrada no estado que deixou mais de cem mortos nos complexos da Penha e do Alemão. Castro usou imagens fortes para alertar: “decisões judiciais transformaram o Rio de Janeiro em um bunker de lideranças criminosas”.

Justiça sob crítica e a “armadilha da polarização”

Castro apontou que algumas decisões do sistema judicial, especialmente a ADPF 635, que regula operações policiais em favelas, restringiram a atuação das forças de segurança e, segundo ele, contribuíram para que facções criminosas encontrassem no estado um “porto seguro”.
Ele também fez um apelo direto à classe política e à sociedade: ou “ajuda a somar no Rio de Janeiro ou suma”. A polarização, alertou, não será aceita como justificativa para negligência ou justificativa de ação.

Operação, balanço e controvérsia

A megaoperação, realizada com participação das polícias civil e militar do estado, deixou segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro pelo menos 132 mortos; quatro deles policiais.
Na coletiva, Castro declarou que “as únicas vítimas que registramos ontem foram os policiais”: afirmação que gerou reações e críticas pelo elevado número de mortos civis relatado.

Federalismo e coordenação à prova

Castro afirmou que as operações ocorreram sem envolvimento direto do governo federal, aguardando agora um contato formal para definir apoio e cooperação. Segundo ele, o Estado está “sai na frente” por compreender o seu lugar no quadro nacional da segurança pública.
Ao mesmo tempo, a crítica às decisões judiciais reforça uma tensão entre os poderes estaduais, federais e seus mecanismos de intervenção; algo que, na visão do governo fluminense, tem favorecido o crime organizado.

Qual o impacto para a sociedade?

Para além dos números frios, há impacto real na vida das pessoas que vivem em territórios fragilizados pela violência. Moradores dos complexos vizinhos relataram barricadas, blackout de transporte, medo intenso e acesso a serviços públicos precário. O discurso de que o Rio virou “bunker” não é apenas figurativo: trata‑se de uma escala de guerra urbana que afeta famílias, trabalhadores e crianças.
Se decisões judiciais e marcos regulatórios contribuem para inércia das forças do Estado, a população permanece à mercê e a sensação de que o crime se organiza enquanto o Estado se dispersa se agrava.

Reflexão final

A segurança pública de um estado não pode ser refém de brechas jurídicas ou ausência de coordenação. Quando o crime se instala e dizem que “o Rio virou bunker”, o que se revela é um alerta para todo o país: a contagem regressiva da vulnerabilidade não está no livro de estatísticas, está na vida de cada cidadão tentando voltar para casa com segurança. Neste momento, parar para pensar é urgente. E agir, imprescindível.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Veja – Abril

Reportagem: CNN Brasil

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