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Defesa diz que Bolsonaro não cometeu violência ou grave ameaça

Advogado afirma que ex-presidente só pode ser condenado se julgamento tiver influência política.

No dia em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) dá sequência ao julgamento que pode condenar Jair Bolsonaro (PL) por cinco crimes, a defesa do ex-presidente voltou a negar que ele tenha cometido qualquer ato de violência ou grave ameaça. O advogado Paulo Cunha Bueno disse nesta terça-feira (9) que “fazer live e conversar com comandantes militares não configuram crime”.

Expectativa da defesa

Em entrevista na chegada ao Supremo, Bueno insistiu que, se o processo for analisado de forma “estritamente jurídica”, Bolsonaro não poderá ser condenado. “A expectativa da defesa é que o processo seja julgado à luz só e somente de elementos estritamente jurídicos. Se for julgado assim, a convicção é de que deverá ser absolvido. Se houver influência de outras variáveis, aí a gente já não pode dizer”, afirmou.

O que será julgado agora

Nesta etapa, os ministros da Primeira Turma iniciam a votação para decidir pela condenação ou absolvição dos réus do chamado núcleo 1 da trama golpista. Antes, porém, precisam analisar questões preliminares, como a validade da delação premiada e eventuais limitações ao direito de defesa.

Quem são os réus do núcleo 1

Além de Bolsonaro, também estão na lista:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022

O peso do julgamento

O julgamento deste núcleo não se resume a uma disputa jurídica. Ele traz à tona uma questão central: até que ponto as instituições brasileiras estão dispostas a impor limites claros contra atos que ameacem a democracia? A defesa tenta reduzir os fatos à rotina de “lives” e reuniões, mas a decisão da Corte poderá consolidar ou relativizar a resposta do país diante de um dos episódios mais graves de sua história política.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN

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