Home / Politica / Depoimentos do caso Master sofrem baixas e PF ouve apenas um diretor no STF

Depoimentos do caso Master sofrem baixas e PF ouve apenas um diretor no STF

Pedidos das defesas adiam oitivas e reforçam clima de tensão em investigação que envolve o sistema financeiro.

A investigação que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília voltou a avançar nesta terça-feira (27), mas não sem novos ruídos. Em um cenário marcado por adiamentos, estratégias jurídicas e crescente expectativa pública, a Polícia Federal retomou os depoimentos da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal, mas ouviu apenas um dos investigados previstos para o dia.

A previsão inicial era de quatro oitivas, mas três acabaram canceladas após pedidos das defesas, que alegaram não ter tido tempo suficiente para analisar os autos do processo, liberados apenas na semana passada.

Depoimentos cancelados e justificativas

Foram cancelados os depoimentos de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira. As defesas sustentaram que a complexidade do material exigia mais tempo de análise antes da tomada de depoimentos.

Único ouvido e postura colaborativa

Diante dos adiamentos, apenas Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos e Tecnologia do Banco Master, prestou depoimento. Segundo seu advogado, Augusto de Arruda Botelho, Bull respondeu a todos os questionamentos da Polícia Federal e seguirá colaborando com as investigações. Ele foi um dos presos na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado.

Depoimentos sob supervisão do STF

As oitivas ocorrem no Supremo Tribunal Federal por determinação do relator do caso, ministro Dias Toffoli. Também estavam previstos para ontem os depoimentos de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor da Tirreno, e do empresário Henrique Souza e Silva Peretto, mas ambos também tiveram as oitivas adiadas a pedido das defesas. A Tirreno é apontada pelos investigadores como empresa de fachada utilizada para a venda de títulos inexistentes ao BRB.

Quem já foi ouvido

Na segunda-feira (26), prestaram depoimento Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor financeiro e da Controladoria do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master. Este último optou por permanecer em silêncio, afirmando previamente não ter poder decisório na instituição e ter atuado apenas como procurador.

Entenda o caso

O Banco de Brasília anunciou, em 28 de março de 2025, uma proposta de compra do Banco Master com o objetivo de formar um novo conglomerado financeiro controlado pela estatal. O movimento, no entanto, levantou desconfianças sobre a real situação dos ativos do Master e acabou sendo barrado pelo Banco Central em 3 de setembro do mesmo ano.

A partir daí, as investigações passaram a apontar que o banco e seu controlador, Daniel Vorcaro, teriam estruturado operações irregulares, fraudulentas ou enganosas com o objetivo de inflar artificialmente os números da instituição e sustentar uma aparência de solidez para seguir captando recursos.

O Master apresentou crescimento acelerado nos últimos anos, impulsionado pela emissão de Certificados de Depósito Bancário com rendimentos acima da média do mercado, amparados pelo discurso de segurança do Fundo Garantidor de Crédito. Segundo os investigadores, os balanços indicariam ativos inflados por fundos suspeitos e crédito consignado frágil, enquanto os passivos eram significativamente maiores.

A primeira fase da operação levou à prisão de Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. Ele é acusado de liderar um esquema de venda de créditos fictícios ao BRB, mas acabou sendo solto posteriormente. Após o caso Master, também foram liquidadas a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust, e o Will Bank.

Entre adiamentos, silêncios e depoimentos estratégicos, o caso segue avançando em ritmo cauteloso, enquanto o país acompanha atento mais um episódio que coloca em xeque a governança, a fiscalização e a confiança no sistema financeiro brasileiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *