Texto deve ser protocolado ainda hoje e Câmara avalia possibilidade de votação no plenário se houver acordo mínimo.
O PL Antifacção volta ao centro das articulações políticas em Brasília. Após uma rodada de conversas com integrantes do governo e parlamentares, o relator da proposta, Guilherme Derrite, deve apresentar nesta terça-feira um novo parecer que pode destravar a votação ainda hoje na Câmara dos Deputados.
A expectativa nos corredores da Casa é de que o relatório seja protocolado no período da tarde. Se houver consenso mínimo entre governo e oposição, o texto poderá seguir diretamente para o plenário.
Movimentação nos bastidores
Segundo apuração da CNN, a tendência é que o novo relatório recupere grande parte do texto originalmente aprovado pela Câmara, incorporando apenas ajustes pontuais feitos pelo Senado Federal.
O movimento já vinha sendo sinalizado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, que indicou ao governo que trabalharia para recompor a versão aprovada pelos deputados.
Na última segunda-feira, Guilherme Derrite se reuniu por videoconferência com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e com o secretário da pasta, Chico Lucas, para ouvir pontos considerados estratégicos pelo governo.
Pressão do governo e disputa de versões
Desde que o projeto retornou do Senado, a Secretaria de Relações Institucionais tem defendido a manutenção do texto aprovado pelos senadores. A ministra Gleisi Hoffmann chegou a pedir a Hugo Motta que Derrite não fosse novamente designado relator da proposta.
Apesar da resistência inicial, articuladores do governo avaliam que, diante das conversas recentes, o novo parecer deve se aproximar mais da versão original da Câmara, o que pode facilitar um entendimento político.
Votação pode ocorrer ainda hoje
A definição dependerá do grau de acordo construído ao longo do dia. Se a leitura do relatório indicar convergência suficiente, a votação poderá ocorrer já nesta terça-feira (24), acelerando a tramitação de um projeto que tem provocado debates intensos entre Executivo e Legislativo.
O desfecho mostrará até onde vai a capacidade de articulação política em torno de um tema sensível e estratégico, que exige equilíbrio entre segurança jurídica, diálogo institucional e responsabilidade legislativa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













